Capítulo 49 - Vida

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Já era tarde quando Sesshoumaru retornou ao lar, depois de um exaustivo dia de caçadas. Ele se encaminhava para seu aposento, ansioso pela presença da esposa, quando percebeu que, contrariando sua expectativa, Rin não estava dormindo, mas sim ali no salão principal, debruçada sobre papiros e na companhia de uma singela vela. 

Aproximou-se sorrateiro. Estando tão compenetrada, ela não notou sua chegada antes que ele estivesse bem ao seu lado.

– Já é tão tarde e você ainda está acordada?

A primeira reação da humana foi um leve sobressalto, e depois ela ergueu rapidamente o rosto, então encarou o marido youkai por alguns instantes antes de sorrir alegre.

– Por que eu nunca consigo perceber a sua presença, senhor Sesshoumaru?

Em sua costumeira expressão imperturbável, ele apenas a encarou, sem nada dizer, e como ela já estava acostumada com isso, simplesmente continuou falando.

– Eu fiquei lendo essas histórias e perdi a noção do tempo.

Sem demonstrar interesse pelo assunto, Sesshoumaru se acomodou ao lado dela e logo pousava uma das mãos em sua face.

– Imagino que a senhora Kaede ficaria zangada se soubesse que você está se desgastando desse jeito, ao invés de estar repousando, mas devo admitir que fiquei contente de te encontrar acordada agora... - disse ele, enquanto passava de leve o polegar pela bochecha dela.

Rin desfrutou um pouco da carícia, antes de dizer:

– Se a vovó Kaede ficasse sabendo disso e viesse aqui me dar bronca, eu diria a ela que tenho uma razão muito boa para estar acordada até agora.

– E que razão seria essa?

– Que eu não queria ir dormir antes de dar um abraço em você, senhor Sesshoumaru... - respondeu tranquilamente e, depois de envolver o corpo do youkai entre os braços, encostou a cabeça contra o peito dele.

Sorrindo, Sesshoumaru a abraçou.

– O seu dia foi complicado? - Rin perguntou.

– Complicado até demais, mas não quero falar sobre isso.

Carregando Rin nos braços com a mesma facilidade de sempre e a despeito do peso extra, Sesshoumaru levou-a para o quarto. Lá chegando, cuidou de deixá-la confortavelmente acomodada no leito baixo e, depois de ter se banhado e vestido um quimono de dormir, ele se estirou ao lado dela.

Os dois trocaram olhares por algum tempo e então Rin alisou as madeixas prateadas num gesto carinhoso. Reconfortado pelo silêncio, inebriado pelo cheiro que a pele dela exalava, Sesshoumaru abaixou a guarda, prestes a se render ao sono, mas, num repente, ele sentiu Rin apertar seu braço com força. Na mesma hora, os olhos dourados se abriram para se depararem com os olhos castanhos dela muito abertos e vidrados, porém, antes que ele dissesse qualquer coisa, ela exclamou:

– Eu preciso da vovó Kaede. Agora!

E esse apelo foi a última coisa que Rin falou antes de entrar em um estado letárgico.

ooOOOoo

Jaken acordou a todos na mansão. Ninguém foi poupado da gritaria do youkai sapo.

– O bebê da Rin vai nascer! - ele clamava. – Senhora Kaede, acorde! Acorde!

E assim com muito alvoroço e em plena madrugada, Kaede e Kagome chegavam às pressas à ala Oeste, trazendo uma diversidade de utensílios e materiais.

Inerte e sem nada escutar, Rin só pôde observar a atribulada agitação ao seu redor. Esforçando-se para virar a cabeça de lado, ela avistou Jaken olhando em sua direção com um rostinho aflito e os olhos esbugalhados. Perguntou-se então se não estaria morrendo, mas um calor forte em seu peito lhe deu a certeza que não.

As Crônicas de SesshoumaruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora