Capítulo 55 - Infalível

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Um tanto mais à noite, no mesmo dia do regresso do youkai branco ao clã, nos aposentos da atual regente, ela e Amanuma conversavam.

– Eu achava que o Sesshoumaru não tinha puxado nada de mim, mas hoje vi que ele herdou meu talento para dramatizações! O que foi aquela chegada dele, hein? Mas ele está um pouco adiantado... Será que ficou entediado da vidinha chata que vinha levando?

– Eu sei que você sabe que ele só está aqui porque eu fui até lá fazer fofocas.

– Ah, então foi isso? Que feio, Amanuma! Você ainda não é o padrasto dele pra ficar se metendo nesses assuntos.

– Eu sei, mas mesmo assim espero que me perdoe. Foi na melhor das intenções...

– Não, não te perdoo! E pensarei em uma punição terrível para essa sua interferência.

– Aguento o que for desde que não seja ficar longe de você.

– Ah, me poupe do sentimentalismo!

Amanuma deu um riso estreito e foi se sentar no umbral da janela. O céu noturno exibia uma lua crescente idêntica à que a regente tinha pintada na testa.

– É isso que tem te deixado tão calado? Acha que fiquei chateada com você?

– Não sei... É difícil ler você, minha querida. E mais ainda entender o que passa por essa sua cabecinha pouco convencional.

Satori sorriu de leve e se aproximou do youkai, e logo o abraçava pelos ombros.

– Se vai te fazer se sentir melhor, digo que não estou chateada com você, querido. Mesmo porque essa sua manobra me ensinou alguma coisa...

– E o que isso poderia ter te ensinado?

– Que orgulho demais pode custar caro...

Amanuma refletiu um pouco, e então acariciou uma das mãos da regente. Satori não podia imaginar o quanto ele ficou aliviado de saber que tinha a aprovação dela.

ooOOOoo

Os primeiros dias de Sesshoumaru e sua família no Castelo das Terras do Oeste foram turbulentos. Na cerimônia de posse, na qual Satori passou oficialmente a liderança do clã para o filho, embora ninguém tivesse se manifestado contrariamente, um clima de insatisfação esteve no ar, ainda que Sesshoumaru tenha seguido adequadamente todos os ritos necessários.

Rin resistia firme, ainda que fosse o principal alvo dos olhares hostis dos youkais. Ninguém se dignava a falar espontaneamente com ela, e se Sesshoumaru não estivesse presente, ela era totalmente ignorada. Por algum tempo, aquilo não a incomodou mais do que um calo, já passara por situações assim, não iria se abalar por tão pouco, mas, vez por outra, ela se recordava da vida simples e alegre no vilarejo e sentia saudades.

Na primeira noite que a família dormiu no castelo, Rin se surpreendeu com o tamanho enorme do quarto que havia sido reservado para ela e o marido. Além disso, Satori separou um quarto para cada um dos gêmeos também.

A pequena Rini ficou entusiasmada com a ideia de ter um quarto só seu, mas foi uma alegria momentânea. Seishirou mal reagiu ao fato durante a última refeição do dia, mas assim que todos se recolheram, ele correu ao quarto da irmã. Rini tentou expulsá-lo de todas as formas, mas, logo desistiu disso, então ela e Seishirou acabaram embolados um ao outro como de costume, e assim adormeceram. No dia seguinte, a situação trouxe muito espanto à criada encarregada de cuidar deles, que os encontrou estirados no chão do quarto.

Escandalizada, essa criada expôs o caso a Sesshoumaru, mas ficou muito frustrada por ele dar pouca importância ao assunto. Então Rin interferiu, explicando à serviçal que era perda de tempo tentar separá-los. Na hora de dormir, eram raras as circunstâncias nas quais tanto Rini como Seishirou aceitavam estar distanciados, pois desde pequenos eles dormiam juntos.

As Crônicas de SesshoumaruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora