Capítulo 30 - Reencontros

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Era o dia da véspera do casamento. Sesshoumaru sentia-se satisfeito e aborrecido ao mesmo tempo. Satisfeito por ter conseguido completar tudo que ele e Kaede haviam estipulado para a festa. E aborrecido com a demora de Inuyasha e Yeda. Mas adiar o casamento até a chegada deles não era uma opção, em função das exigências do ritual.

Naquele começo de manhã, Sesshoumaru estava sozinho em seu salão de tesouros, sentado sobre os joelhos, junto à mesa baixa, tentando avaliar alguns pergaminhos relativos a demandas de trabalho ainda por aceitar, porém só conseguia pensar no quanto a ausência de Yeda iria entristecer Rin e que, ao invés de estar ali, esperando de braços cruzados a má notícia se concretizar, ele devia tentar fazer alguma coisa. Mas logo se convenceu de que não havia tempo hábil para agir.

Descontente, ele virou o rosto à janela e reparou no galho de uma roseira que pendia para dentro do cômodo. Deixando de lado os pergaminhos, ele se levantou e se aproximou da janela, para contemplar de perto uma rosa branca e, naquele mesmo instante, alguém adentrou o salão.

– Bom dia, Sesshoumaru - saudou Miroku.

– Bom dia, monge. Já está de volta? - ele comentou, permanecendo próximo à janela e apenas voltando seu rosto na direção de Miroku.

– Cheguei a agora pouco e trouxe o sake para cerimônia.

– Fez boa viagem?

– Fiz sim e correu tudo bem.

– Então agora não falta mais nada.

– Nada além dos convidados de honra.

– Que insensatez a minha ter deixado isso a cargo de Inuyasha... - queixava-se o youkai branco, mas silenciou ao farejar cheiros novos. – Ah, já não era sem tempo... - disse ele em um tom não muito alto.

– O que?

Rumando à porta do salão, de costas ao monge, Sesshoumaru respondeu:

– Eles chegaram. Todos eles.

ooOOOoo

A bem planejada divisão de tarefas que os integrantes daquela família mista se propuseram a atender permitiu que os preparativos para o casamento estivessem prontos não apenas no tempo estipulado, como também com uma pequena folga. Assim, naquele dia que antecedia a festa, ao invés de uma profusa agitação o que se via na mansão era uma inesperada quietude.

A comida achava-se cuidadosamente estocada e a espera dos serviçais que haviam sido contratados e que se encarregariam de seu preparo - os quais chegariam à mansão no alvorecer do dia da festa. Todos já tinham seus trajes definidos e prontos. Os presentes, que a toda hora chegavam, estavam organizados na ala oeste, sob a supervisão de Jaken. As lanternas e demais adereços que enfeitariam o pátio estavam guardadas na ala central.

A última pendência era a dos tonéis de sake, dos quais Miroku acabara de se encarregar. Há dois dias, ele partira ao vilarejo vizinho para acompanhar a carroça que transportaria os tonéis até a mansão. Ao retornar e depois de ter reportado seu êxito ao youkai branco, Miroku e dois aldeões, que vieram junto com ele, cuidavam de alojar os tonéis na dispensa da ala central.

Enquanto o marido concluía aquela tarefa, Sango se encarregava do preparo do almoço. Devido à ausência de Kagome, ela deixara seus três filhos com Kaede, de modo que pudesse cozinhar sem perturbações. Kaede tinha uma técnica infalível para entreter as crianças: histórias de terror. Jaken até se apresentara para auxiliar a anciã, mas o frescor daquela manhã de Primavera estava convidativo demais a um cochilo e era isso que ele fazia, recostado no batente da porta de correr do salão em que as crianças e a anciã estavam.

As Crônicas de SesshoumaruHistórias para pegar e não largar. Descubra agora