capítulo 5-Pedro

469 67 7
                                        



Eu sabia a fria em que estava me metendo, quando pedi para que Josias tirasse a Silvia do meu escritório. Fazer isso era o mesmo que assinar uma sentença de morte, mas pela Mariana vale à pena.

Ela não saiu dos meus desde que nos conhecemos e, ela estava em minha festa, linda como em sonho. Em mais de oito meses, nenhuma outra mulher conseguiu mexer comigo, mas com ela eu tinha a impressão de era diferente.

—Acha mesmo que pode me colocar para fora da sua festa? —gritou quando o segurança se aproximou. — Não adianta fugir, Pedro, eu sei que você me ama, nós pertencemos um ao outro.

Enquanto ela fala suas besteiras, mantenho minha atenção voltada à Mariana que parece bastante assustada com toda aquela cena.

—Silvia... —Aproximo-me dela, mas ainda mantenho uma distancia segura. — Quando é que você vai entender que eu a vejo como uma irmã?

—Irmã!? —Ela estreita os olhos e num ato rápido pega um copo pesado que está sobre a mesa e o arremessa na minha direção. — Você é meu, Pedro! Meu! E saiba que eu não desisto fácil...Eu sou capaz de acabar com todas as mulheres que cruzarem o meu caminho!

Diante do seu descontrole, apenas gesticulo para Josias e ele entende. Segura-a pelos braços enquanto ela se debate tentando livrar-se dele.

—Mariana, eu vou resolver isso...Poderia me esperar aqui? —Viro-me para ela e sinto que não vou conseguir convencê-la a ficar.

—Pedro, eu prefiro deixar essa conversa para outro dia — diz chateada.

—Por favor...Eu volto em cinco minutos. —Junto as mãos, implorando.

Ela fecha os olhos como se estivesse em dúvida.

—Tudo bem. Eu vou ficar aqui. —Cruza os braços e olha outra vez para a Silvia.

— Vamos, Josias...Vamos sair pelos fundos para evitar que meus clientes assistam a esse showzinho barato — falo, apontando para a saída.

À essa altura a Silvia está aos prantos, amaldiçoando a mim a minha quinta geração, ainda que nem eu saiba quem são. Enquanto Josias praticamente a arrasta, eu ligo para o serviço de táxi e o motorista promete chegar em dois minutos.

Assim que chegamos na calçada, peço para que o segurança a solte.

—Pode deixar, agora é comigo.

—Qualquer coisa é só chamar. —Ele pisca para mim e volta pra dentro do bar.

Assim quer nota que estamos sozinhos, Silvia muda completamente, um sorriso descarado curva seus lábios e ela caminha para bem perto de mim.

— Dessa vez você passou de todos os limites! — rosno enquanto a afasto.

— Pedro... O que eu posso fazer se eu te amo? — Sua voz mole denuncia que há muito álcool em suas veias.

— Eu chamei um táxi e ele deve estar chegando...Quero que vá para sua casa e pense no quanto tem infernizado a minha vida.

Ela volta a chorar.

— Que droga, Pedro... Eu só quero comemorar com você... — Ela tenta me beijar. — Por favor, me deixa ficar.

Respiro fundo, preciso mandar oxigênio ao meu cérebro, do contrário, sou capaz de perder a cabeça e largar Silvia sozinha naquele estacionamento.

— Eu estou de saco cheio disso! É sempre a mesma coisa. Você me persegue e parece que gosta de provocar os piores sentimentos em mim.

Ela enxuga as lágrimas com as costas das mãos e faz um beicinho como se fosse uma criança mimada.

Era para ser assimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora