Estamos nos beijando, cada degrau que subimos e nosso desejo parece maior. Quando chegamos no quarto do Pedro, dá para notar que ele havia pensado em tudo. A iluminação está por conta de velas e o cheiro de especiarias torna tudo ainda mais sensual.
— Só um instante. — Ele corre para o banheiro e eu ouço o som da água enchendo a banheira.
Mal tenho tempo de raciocinar e ele está de volta, completamente nu. O corpo escultural me deixa se fôlego e quando ele caminha até mim, sinto minhas pernas falharem.
Não falamos nada, apenas nossos olhos conversam. Ele segura a barra da minha blusa e puxa-a para cima, levanto os braços para facilitar a retirada; depois ele se abaixa e desabotoa a minha calça jeans, fico feliz por estar diferente da outra vez, quando usava lingeries que pareciam ser da minha mãe, agora visto um conjunto vermelho de renda.
Pedro parece gostar, ele sorri levemente com o canto dos lábios antes de me beijar por cima da calcinha.
— Você fica bem de vermelho... Mas eu prefiro sem... — sussurra ele, com as mãos ágeis no fecho do meu sutiã.
Respiro fundo quando Pedro tira a minha calcinha e me toma em seus braços, carregando-me até o banheiro.
— Você caprichou — comento ao ver mais velas.
— Eu tentei, mas nunca acho que está à sua altura. — Ele me coloca sentada na beirada da banheira, ajoelha-se entre as minhas pernas e começa a fazer aquilo que ele me ensinou a gostar.
Sua língua passeia, vai e vem enquanto seus dedos se divertem dentro de mim. Ora sou sugada com calma, ora com voracidade. Seguro seus cabelos, a fim de tomar as rédeas da situação.
Bobagem... Estou entregue, completamente dominada por ele e, assim que estremeço, Pedro faz uma pausa, meus olhos encontram os seus.
— Quero que sinta como você é deliciosa... — Ele segura meu queixo com uma das mãos, desliza dois dedos dentro de mim e depois os tira, levando-os direto até a minha boca.
Sinto um sabor agridoce na ponta da minha língua, e confesso, acho um pouco estranho, mas quando Pedro toma meus lábios e me puxa para dentro da banheira, tudo parece perfeito.
Nosso encaixe, nossos movimentos ritmados e a água quente cobrindo nossos corpos...Algo próximo ao paraíso.
****
Amanhece, sinto-me relaxada e cada vez mais à vontade ao despertar ao lado dele. Pedro ainda dorme, parece uma rocha e eu perco um tempo observando-o.
De repente sinto uma vontade enorme de saber mais sobre ele. Como será que ele adquiriu aquela cicatriz perto da sobrancelha esquerda? E qual será a sua cor preferida? O que houve com sua família adotiva?
Vamos nos casar e eu sei tão pouco sobre ele, no entanto, o bastante para ter certeza do que vou fazer.
— Bom dia! — Ele se espreguiça e sorri com um dos olhos ainda fechados.
— Bom dia, Pedro. — Afago sua cicatriz. — Como fez isto?
— Isto? — Ele boceja e pisca algumas vezes. — Isto o quê?
— A cicatriz.
Pedro senta-se na cama.
— Nossa, isso foi há tanto tempo... Eu levei um soco em uma briga, coisa de garoto, sabe? Futebol. — Ele ri e parece estar relembrando o fato.
— Então foi no orfanato? — Quero saber.
Ele assente com a cabeça.
— Foi.
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Era para ser assim
RomancePedro Motta Assunção é um homem que teve uma infância difícil, marcada por traumas e rejeições. Quando acredita ter encontrado a felicidade, uma tragédia marca sua vida e o coloca dentro de um grande desafio: criar sua filha recém-nascida, sozinho...
