Luíza não consegue segurar a emoção, aos prantos, ela debruça sobre a cama em que Mariana está e chora de forma desenfreada. Já eu, tenho a mesma vontade, mas tento me segurar, temo passar toda essa tristeza para minha noiva.
O fato é que ela está realmente irreconhecível, o rosto bastante inchado, os olhos arroxeados, e a cabeça rapada exibe um afundamento que, por certo, é de onde tiraram o pedaço do osso.
— Meu amor...Eu estou aqui com você... — sussurro em seu ouvido, enquanto seguro uma de suas mãos; sua temperatura parece alta, ou talvez sou eu que estou gelado demais. — A Luíza também está aqui, assim como seus pais e até o Paulo. Todo mundo muito preocupado com você.
Ela não esboça nenhuma reação, nem sei se pode me ouvir.
— Pedro...Eu não consigo ver a minha amiga assim... — Luíza se aproxima de mim, está destruída. — Já imaginou quando os pais dela a virem?
Cubro meu rosto com as mãos, sinto como se estivesse preso dentro de um terrível pesadelo.
— Não sei o que fazer. — Encolho meus ombros. — Só sei que dói muito...muito mesmo.
Luíza me abraça, choramos juntos.
— Queiram me desculpar, mas precisam sair para que os outros familiares entrem. — A mesma enfermeira que nos acompanhou, surge sem que percebamos.
Olho para ela e seco meu rosto com as mãos, ela me encara com pena.
— A situação dela é bem grava, não é? — pergunto num tom baixo.
Ela franze os lábios antes de curvá-los para baixo.
— Traumas na cabeça são complicados...Ela precisa reagir nas próximas horas. — Limita-se na explicação.
Viro-me de volta para Mariana, tenho a impressão de que seu rosto está ainda mais inchado.
— Meu amor... — Seguro novamente a sua mão. — Eu tenho que sair para seus pais entrarem, mas não arredo os pés deste hospital. Ficarei aqui o tempo que for necessário, até que você se recupere e volte para mim.
Com cuidado, deposito um beijo delicado em seu braço e saio, deixando com ela meu coração.
De volta à sala de espera, a primeira pessoa em que coloco meus olhos é a mãe de Mariana. A frase de Luíza não larga meus pensamentos, imagino o quão impactante será para ela.
— E então? Como ela está? — pergunta-nos com ansiedade.
Luíza engole em seco.
— Dona Márcia... — Ela começa a dizer, mas desaba nos braços da mãe de sua amiga.
O pai de Mariana me olha com desespero, parece cobrar uma explicação.
— Nada mudou diante do que o médico nos disse. — Tento ponderar a situação. — A Luíza só ficou impressionada, de fato, nossa Mariana está bem machucada. — Munido de uma força hercúlea, tento não transparecer meu torpor.
—Márcia, eu vou com você. — Ele afaga o ombro dela, que ainda ampara Luíza. — Vamos, precisamos dar força a nossa filha.
— A enfermeira está na porta, esperando para levá-los até lá — incentivo.
O casal olha para mim, a mãe de Mariana respira fundo, abraça o marido e segue, deixando apenas Luíza, Paulo e eu na sala.
— Parece que a coisa é bem séria mesmo, não é? — Meu irmão se aproxima de nós.
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Era para ser assim
RomansaPedro Motta Assunção é um homem que teve uma infância difícil, marcada por traumas e rejeições. Quando acredita ter encontrado a felicidade, uma tragédia marca sua vida e o coloca dentro de um grande desafio: criar sua filha recém-nascida, sozinho...
