Por mais que eu esteja sem cabeça, preciso trabalhar. Existem pessoas que dependem de mim, assim como eu também preciso de dinheiro para arcar com o advogado que contratei, além disso, eu prometi para mim mesmo que minha filha teria sempre o melhor, tudo o que eu não tive na minha infância, por essas razões, estou na academia e tenho uma pilha de coisas para resolver.
O Bruno é um bom funcionário, a academia roda bem com ele no comando, assim como o bar que está nas mãos do Josias, mas têm coisas que necessitam de mim. Uma delas é a compra de novos aparelhos e, eu estou olhando o catálogo deixado há dias por um vendedor, quando ouço baterem na porta.
— Pode entrar — autorizo, mesmo sem saber quem é.
Vejo a maçaneta girar lentamente e pela fresta Mariana coloca a cabeça para dentro da minha sala.
— Surpresa! — Ela sorri e eu me levanto rapidamente, muito feliz com a visita inesperada. Mas quando ela abre a porta por completo, vejo algo que faz com que meu coração pulse com tanto vigor, que parece que quer me lembrar de que estou vivo.
Mariana carrega minha filha em seu colo.
— Eu não acredito... — murmuro, quase sem fôlego e praticamente arranco Lorena de seus braços, tomando-a para mim, colocando-a dentro de um abraço longo, apertado e carregado de saudade. — Filha...Minha princesinha... — Não contenho minhas lágrimas e nem me esforço para fazê-lo.
Afundo meu rosto em seu pequeno pescoço e aspiro o cheirinho de paz que ela tem. Lorena começa a gargalhar, ela sente cócegas quando eu faço isso. O som de sua risada é a melhor das canções.
— Pa...pa... papa... — repete ela, enquanto passa suas mãozinhas em meu rosto.
— Como conseguiu isso? — pergunto para Mariana e a encontro emocionada, chorando em silêncio.
— Para resumir, fiz amizade com a Sabrina, que é quem está cuidando da sua filha...Ela não concorda com esse afastamento, então eu pedi para que me deixasse trazer a Lorena para você matar a saudade. — Mariana funga. — Ela está esperando no carro e eu preciso levá-las embora.
Nem preciso dizer que dói saber que já vamos nos separar outra vez, que será outra noite em que seu bercinho estará vazio, assim como a minha vida. Mesmo assim, não posso reclamar, estar com a minha filha, ainda que por apenas um minuto, é algo que eu tenho que comemorar.
— Muito obrigado. — Estico o meu braço e alcanço a Mariana. — Não pode imaginar o quanto isso significa para mim. — Beijo repetidamente o rosto de Lorena.
— Está enganado...Eu posso imaginar sim. — Ela abraça a nós dois. — Prometo que vocês vão se encontrar mais vezes e por mais tempo...Até que ela volte em definitivo.
A forma como Mariana fala, tão certa, tão convicta, acalenta meu coração e me faz acreditar que sim, Lorena, Mariana e eu seremos mesmo uma família.
Seguimos então os três até o estacionamento, Sabrina está sentada no banco traseiro do carro de Mariana, lendo um livro, assim que nos vê, ela desce e me abraça.
— Sinto muito, Pedro — lamenta. — Eu não concordo com os meus tios, sei que você é um bom pai.
— Que bom, Sabrina, fico feliz que tenha essa consideração por mim — agradeço. — Sabe que a Fernanda amava muito você... Ela a tinha como uma irmãzinha.
— Eu sei e nunca vou me esquecer dela, nem de você, de como me levavam para cima e para baixo quando começaram a namorar.
— Eu te apelidei de "velinha"... — relembro.
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Era para ser assim
Storie d'AmorePedro Motta Assunção é um homem que teve uma infância difícil, marcada por traumas e rejeições. Quando acredita ter encontrado a felicidade, uma tragédia marca sua vida e o coloca dentro de um grande desafio: criar sua filha recém-nascida, sozinho...
