Capítulo 9- Pedro/ Mariana

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  Pedro

Eu poderia dizer que não me lembro de nada, fingir a tal amnésia alcoólica e assim tornar as coisas menos difíceis entre mim e a Silva, só que depois de uma vacilada tão grande, só me resta ser homem o bastante para assumir o meu erro.

Depois que voltamos da boate, a Silvia quis esticar a noite, por certo achava que continuaríamos de onde paramos, só que eu pedi para ficar sozinho e ela, embora tenha ficado uma fera, acabou tendo que aceitar.

Mas agora, faremos juntos uma viagem de quase três horas e eu não vou conseguir fazer isso sem me explicar e deixar tudo às claras.

Envergonhado e tomado por uma ressaca moral sem precedentes, bebo um copo de suco de laranja e sigo até o quarto onde ela está, que fica bem ao lado do meu.

— Pode entrar...A porta está destrancada — ela grita assim que termino de bater e anunciar que sou eu.

Respiro fundo, passo as mãos pelo rosto e entro no quarto. Silvia está em pé ao lado da cama, os cabelos presos no alto da cabeça e no rosto usa pouca maquiagem, o vestido rodado faz com que ela pareça mais jovem, e faz também com que eu me lembre dela ainda menina.

Sinto-me pior.

— Bom dia. — Começo com os olhos baixos.

Ela engole em seco.

— Bom dia, Pedro. Está melhor? — Cruza os braços e se mostra ainda chateada.

— É para ser sincero? —Dou um passo à frente, e ela sinaliza positivamente com a cabeça. — Eu me sinto péssimo, muito mal mesmo e morrendo de vergonha de encarar você.

Silvia me olha por alguns instantes, depois dá a volta na cama e para de frente para sua mala sobre o colchão.

— Olha, Pedro...Eu vou facilitar as coisa para você. — Começa a dobrar umas peças de roupa. — Eu sei o que veio me dizer...Que você bebeu demais, que aquilo que rolou entre nós foi um erro e que estava confuso, por isso foi até o fim comigo. Acertei? — Lança-me um olhar inquisidor.

— Silvia...Eu não quero magoar você, mas...

— Mas magoou, Pedro. —Ela funga. — No fundo você percebeu que eu continuo apaixonada por você, mas sabe de uma coisa? Eu não me arrependo, porque fazer amor com você foi maravilhoso...E pode ficar tranquilo, eu não vou aparecer daqui alguns dias dizendo que estou grávida nem nada disso. Eu tenho DIU e ser mãe agora, só se fosse da Lorena... É uma pena que para você eu fui apenas uma transa.

—Não! — Corro para mais perto dela. — Não é nada disso, só que eu não sou apaixonado por você, Silvia.

— Tudo bem, eu sei que não é, mas poderia ficar... — Ela segura meus braços. — Nós sabemos do passado um do outro, sabemos como é difícil a dor da rejeição e o principal, eu amo a sua filha, posso ser uma excelente mãe para ela, dar para aquela princesinha todo o amor que eu, infelizmente, não recebi da minha mãe.

Ela toca no meu ponto fraco, falar sobre a minha filha e sobre nosso passado de rejeição é algo que mexe muito comigo. Sinto-me dúbio.

— Eu...Eu não sei se isso seria uma boa ideia — penso alto.

— Pedro... Me dê uma chance e eu provo para você que posso te fazer o homem mais feliz deste mundo. — Ela cerca meu rosto com as mãos e sorri. — Você me propôs fingir ser sua namorada, para que tenha mais chances de ficar com a guarda da nossa pequena, e eu estou aqui, olhando nos seus olhos e propondo que sejamos uma família,  só que de verdade.

Era para ser assimOnde histórias criam vida. Descubra agora