Capítulo 15-Mariana

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Quando se trata de dirigir como um piloto de fuga, a Luíza é a pessoa perfeita para isso, portanto, quando ela se oferece para me levar ao hospital, não penso duas vezes e aceito. Minha amiga ainda insiste que vai me esperar até que eu resolva toda a situação que ainda nem sei qual é, mas por não imaginar o que me espera, prefiro liberá-la.

— Eu volto de táxi, ou ainda, ligo para você vir me buscar — digo, já do lado de fora de seu carro.

— Pode ligar mesmo que eu venho. — Ela aponta o dedo para mim. — Vou para casa almoçar, mas fico à sua disposição.

Mando um beijo para ela e corro rumo a entrada do prédio. Passo direto pela recepção e vou até o balcão de atendimento onde Helenice está.

— E então... A Lorena ainda não foi atendida, certo? — indago-a com a voz entrecortada.

Ela arregala os olhos e me encara como se acabasse de ver um fantasma.

— Nossa, você se tele transportou?

— Não, mas eu vim voando... — Suspiro. — Agora me fale sobre minha paciente.

— Ela acabou de passar pela triagem e pelo que me informei, ela está febril.

— Menos mal... — murmuro aliviada. — Eu vou até a minha sala, quero fazer esse atendimento, então, pode encaminhá-la direto para mim, por favor. Ah, e não comente nada sobre eu ter vindo exclusivamente para isso.

Helenice não faz perguntas, apenas assente com a cabeça e se levanta, pronta para realizar o que acabo de pedir.

Já em meu consultório, separo a ficha da Lorena e aguardo ansiosa por sua chegada. Em menos de dois minutos ouço leves batidas na porta, levanto-me e a abro. Dou de cara com uma senhora dona de um sorriso simpático, segurando nos braços a filha de Pedro.

— Boa tarde — cumprimento-a e gesticulo para que entre. — O que está acontecendo com essa princesinha?

— Boa tarde, doutora. — Ela coloca a menina sobre o leito e ela parece bem molinha. — Então, desde hoje de manhã a minha netinha vem ardendo em febre. Eu dou a medicação, mas parece que não adianta.

Aproximo-me da Lorena e tiro toda a sua roupa, olho seu bracinho onde identifiquei as marcas dias atrás e elas já são quase imperceptíveis, coloco o termômetro sob sua axila direita e enquanto aguardo o resultado, dou uma olhada em seus olhos, nariz e ouvidos. Tudo parece bem.

— Ela apresentou vômito, diarreia ou qualquer outra alteração que eu deva saber? — pergunto.

— Não, nada além da febre. — Ela encolhe os ombros.

— Como é nome da senhora?

— Odélia.

— Eu sou a Mariana, e já atendi sua neta outras vezes, mas sempre quem a traz é o pai...Hum...Pedro. — Omito nossa relação, temendo prejudicá-lo.

— É isso mesmo, mas agora ela está morando comigo e com o meu marido. — Ela parece um tanto desconcertada.

O termômetro apita e no leitor acusa que a pequena está com quase trinta e nove graus de febre.

— Isso não é bom... A febre está mesmo alta. — Começo a vesti-la. — O que houve com o pai dela, dona Odélia? — Devolvo-a para a avó.

— Olha, doutora, não sei se você sabe, mas a minha filha, mãe da Lorena, faleceu quando ela nasceu e isso foi um baque e tanto para nós. Acabamos achando melhor que a bebê ficasse com o Pedro, nós pensamos que seria isso que a nossa Fernanda iria querer. Nós tínhamos o direito de ficar com ela por dois fins de semana a cada mês, mas o pai dela sempre deixou as visitas livres. Agora nossa netinha está cada dia mais parecida com a mãe, e quando estamos com ela, parece que a dor diminui e na hora de devolvê-la para o pai, toda a tristeza volta. — Pôs-se a desabafar.

Era para ser assimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora