Capítulo 20- Mariana

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É um hotel bem simples e eu só o conhecia por nome, estamos na recepção aguardando enquanto a atendente, uma senhora contando cerca de seis décadas, termina o atendimento de um novo hospede.

Confesso que chego a me sentir uma idiota por pensar que a Silvia pudesse estar com o irmão do Pedro, porque sim, é exatamente essa a minha teoria.

Ou era.

Não consigo imaginá-la em um lugar como este, seu jeito soberbo e esnobe não combina com a mobília antiga e o carpete gasto.

— Boa noite, seu Paulo! O senhor perdeu as chaves do seu quarto? — a senhora pergunta ao Pedro, assim que coloca os olhos sobre ele.

Ele olha para mim e ri.

— Boa noite. — Caminha alguns passos até chegar ao balcão. — Eu sei que parece estranho, mas eu não sou o Paulo, na verdade sou o irmão dele, Pedro Mota Assunção.

Ela junta as sobrancelhas, depois tiras os óculos e os limpa na barra da blusa, antes de recolocá-los.

— Minha Nossa! Mas são iguaizinhos — retruca com as mãos no rosto.

— Somos gêmeos idênticos, então...

— Peço desculpas. — Ela sorri, ainda analisando meu namorado.

— Não se preocupe, a senhora não foi a primeira a confundir os dois — intervenho. — Eu mesma fiz isso mais cedo.

Todos rimos.

— Agora que as coisas estão esclarecidas, sabe me dizer se o Paulo está aqui? — Pedro não perde tempo. — Nós precisávamos falar com ele.

— Olha, essas últimas horas foram uma loucura , hoje eu estou trabalhando sozinha na recepção, então já viu... Sei que ele saiu, mas não vi se voltou — Ela desata a falar. — Eu posso ligar no quarto dele.

— Por favor. — Pedro une as mãos.

Ficamos observando enquanto ela faz a chamada, alguns segundos se passam e nada, ela apenas nos encara com o cenho franzido enquanto mantém o telefone rente ao ouvido.

—É...Acho que ele não voltou ainda.

Outra vez Pedro me encara, agora parece esperar que eu conduza a situação.

— Bom, meu amor, não é nada de tão urgente...Acho que podemos falar com ele amanhã — digo, já entrelaçando meus dedos nos seus.

— É, acho que sim — concorda ele. — Como é o nome da senhora? — Volta sua atenção à senhora.

— Gertrudes, mas pode me chamar de dona Gê — reponde simpática.

— Dona Gê, foi um prazer conhecê-la. Tenha uma ótima noite.

— O prazer foi todo meu. — Ela acena e nós partimos.

Antes de sair, dou uma última olhada por tudo e mergulho num conflito interno. Uma parte de mim acha que estou exagerando na preocupação, já a outra parte, diz que eu estou certa em agir assim.

— É estranho que seu irmão não tenha voltado para o hotel, não acha? — exponho o quanto estou intrigada. — Ele chegou aqui hoje, não conhece ninguém além de você...

— Mariana, ele pode ter ido a algum restaurante, lanchonete, sei lá — Pedro argumenta. — Tem um shopping aqui perto, de repente foi até lá.

Chegamos ao meu carro e eu ainda não estou convencida, pode parecer maluquice, mas eu continuo desconfiada.

— O que acha de darmos um tempo aqui? — sugiro, assim que nos sentamos. — Ele vai voltar, de repente acompanhado...

Era para ser assimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora