IV

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    Eles estavam flertando um com o outro, era nítido

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    Eles estavam flertando um com o outro, era nítido. E bem na minha frente. Não que isso fosse problema meu, de forma alguma, mas havia me incomodado, de um jeito estranho, na qual eu não saberia explicar.

     Por um momento, Adam desviou o olhar de Hanna e me olhou, por longos segundos torturantes. Suas pupilas estavam dilatas e eu podia ver cada detalhe de sua íris. Engoli em seco, me sentindo sufocada com seu olhar em cima de mim e desviei, para outro canto na qual não fosse Adam Ashworth. Ele passou ao meu lado, tão perto que senti seu perfume masculino e inalei, sentindo aquele cheiro bom.

— Mary? — Hanna me chamou, balançando a mão em minha frente, para que eu acordasse de meus pensamentos. — Tudo bem? — perguntou em um tom preocupado.

A encarei vendo seu rosto inexpressivo.

— O que estava dizendo? — perguntei me ajeitando na cadeira. Ela revirou os olhos brevemente e arqueou a sobrancelha.

— Eu não disse nada — disse como fosse o mais óbvio possível, e foi a minha vez de revirar os olhos — Mas já que estamos aqui, quero te contar uma coisa — aproximou seu rosto do meu, dizendo quase em um sussurro: — Adam me chamou pra sair! — disse com o maior sorriso que tinha, suas bochechas estavam incrivelmente vermelhas e o brilho no seu olhar era perceptível.

     Eu levantei as duas sobrancelhas, franzido a testa, meus lábios estavam em um perfeito "O". Tentei reformular o que ela disse novamente. Tá legal, eu não estava acreditando e aquilo havia me dado um choque.

     Hanna nunca foi o tipo de garota que iria para um "encontro" com um cara, até porque, ela não tinha uma boa imagem dos homens, culpa do último relacionamento dela. Por mais que eu soubesse que a mesma estava flertando com um cara da faculdade  — na qual ela não queria me dizer o nome —, eu não poderia imaginar que seria Adam. Eu até pensei que Adam fosse gay, nunca o vi com uma garota sequer por aqui, acho que nenhuma garota iria querer se envolver com um garoto que só se envolvia em coisas erradas e só dava desgosto para a família. E o que mais me surpreendeu, foi a Hanna se interessar por ele, mas eu não poderia duvidar de nada que vinha dela.

     Sorri meio fraco para não a deixar sem graça.

     Não que eu estivesse contra isso, longe de mim. O único problema era o arrogante do Ashworth. Ele poderia fazer mal para a minha amiga ou a envolver nos seus "negócios" por aí  — eu não sabia que tipo de negócios eram esses, Aysha não havia me contado tudo. Eu queria o bem e o melhor para Hanna, mas Adam não era o "melhor" para ela.

      Respirei fundo mantendo a cabeça no lugar, aliás era só um encontro deles.

      — Nossa! — digo tentando fingir empolgação, o que não adiantou muito — E aonde vocês vão? — pergunto interessada, realmente eu estava.

     — Ele me disse que era surpresa. Fico até imaginando pra onde ele vai me levar — apoiou o cotovelo na mesa e colocou seu rosto entre as mãos. Um sorriso bobo estava em seus lábios e o olhar apaixonado surgiu.

— Não me diga que está apaixonada por ele, Hanna? — perguntei com medo. Semi-cerrei os olhos esperando por sua resposta.

Ela deu de ombros alargando mais o sorriso. Eu levei aquilo como uma afirmação, uma grande afirmação. Isso já era demais. Hanna estava apaixonada por Adam, o que era um perigo enorme para ela.

     — Estou gostando dele, Mary. Ele é um sonho de garoto — ela dizia com o efeito "paixonite" no seu corpo inteiro.

     — Sonho de garoto? — perguntei com a testa levemente franzida e revirei os olhos rapidamente — Hanna, você pelo menos ouve o que rola sobre ele na faculdade ou as coisas que a Aysha conta? Sabemos que ela é uma fofoqueira nata, como diz a mesma.—Digo lembrando da Aysha falando aquilo.

     E a loira tinha certeza. Aysha era a fonte de informação da faculdade, tudo o que acontecia, ela ficava sabendo. Sobre a fofoca do dia, ela com certeza era a primeira a saber. Foi por esse motivo, que se auto nomeou como "Fofoqueira Nata" ou "A fonte de Nova York".

      — Mary, não podemos acreditar em qualquer coisa que dizem por aí. — me repreendeu como eu fosse uma criança cega que acreditava em qualquer palhaço que lhe oferecesse doce. Mas não era bem assim.

     — Claro que não devemos acreditar. Mas tanto você quanto eu, sabemos que tudo o que falam sobre o grupo SOS, é verdade— puxei o ar pelo nariz e soltei pela boca, tentando me controlar para não surtar com Hanna.

     O Grupo SOS, era o grupo dos garotos mais ricos da Faculdade e talvez, de toda a cidade. É uma fraternidade da faculdade que tinha como membros vários caras, incluindo Adam e Lyan. O que eu acho sobre eles? Um bando de mimados, que ninguém se atreve a se intrometer no caminho deles. Típica fraternidade de filmes adolescentes.

     — E sabemos muito bem que Adam Ashworth não é "flor que se cheire" — continuei dizendo enquanto fazia aspas com os dedos.

      — Isso não vai mudar nada, Mary Angel. — cruzou os braços fazendo um bico com os lábios — Não sabemos se é verdade as coisas que ele fez!

      — O que ele fez? — juntei as sobrancelhas, não entendendo, a curiosidade se instalou na minha mente.

      Eu sabia poucas coisas sobre ele, talvez eu estivesse exagerando em todos os termos em relação ao Adam. Tudo bem, eu mal o conhecia para julga-lo da maneira que eu julgo, mas eu tinha meus motivos. Até porque, o histórico de fofocas que rola sobre ele, é imenso. Mas as coisas que Hanna havia mencionado, não eram as mesmas coisas que eu sabia, tinha quase certeza disso. Eu iria abrir a boca para a perguntar que coisas eram aquelas, mas fui interrompida pela professora de Literatura Inglesa.

A professora sorriu de forma amigável para todos quando colocou suas coisas em cima da mesa, as organizando tudo direitinho do modo que ela sempre fizera e foi até o quadro, escrevendo com o piloto o tema da aula. Novamente, a senhora Campbell virou-se para nós com o sorriso contagiante de sempre.

— Boa tarde. — Disse ajeitando seu óculos de armação preta no seu rosto — Quero um trabalho para semana que vem — começou a falar sem cerimônias alguma — uma biblioteca de gênero. Onde vocês vão montar uma "biblioteca"com livros de gêneros que escolherei. Quero digitalizado, como de costume. — ela juntou suas mãos na frente da sua calça preta — Como estou de bom humor, quero esse trabalho em dupla, para facilitar vocês — um suspiro saiu dos meus lábios, estava aliviada até ela retornar a sua fala. — Mas eu vou escolher as duplas e não adiantem reclamar, não vão me fazer mudar de opinião. — Sorriu sem mostrar os dentes e analisou um pouco todos ali.

     Revirei os olhos em forma de protesto. Eu odiava fazer trabalho em dupla que não fosse Hanna ou Aysha, isso desde do colégio. Com toda certeza, ela não iria deixar Hanna e eu fazermos dupla, já que da última vez entregamos o trabalho atrasado, por culpa da Hanna que fez o favor de esquecer o Pen-drive em casa.

      — Entregarei uma lista para vocês passarem e nesta lista, contém todas as duplas — Explicou com uma folha branca nas mãos. Ela foi até um garoto de óculos e baixinho e entregou o papel nas mãos dele — Não irei trocar as duplas e não adianta falar com o Reitor, como fizeram da última vez, ele está ciente de tudo. E vocês não estão na escola para esse tipo de bobeira — sua voz saía rude a cada palavra, o que era estranho para a Senhora Campbell que sempre fora calma e gentil.

     A folha passava de mão em mão, e o pessoal não estava nada feliz com suas duplas, provavelmente, aquilo estava um desastre.

     Eu estava tranquila, pois tenho quase certeza que a professora foi generosa em relação à mim.

     Peguei o papel nas minhas mãos e fui procurando o meu nome, um por um, bem devagar, até eu o achar e ler quem era minha dupla. O Universo estava contra mim.

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