XXXIII

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Erros deliciosos

Tem como se sentir mais confortável do que eu estava? Quieta e serena, assistindo Harry Potter e a Pedra filosofal, vestida com um moletom enorme e cheiro. Adam estava dormindo há um tempo, percebi quando o mesmo parou de comentar sobre partes importantes do filme.

         Levantei-me rapidamente, sentando na cama e Adam estava realmente dormindo, tranquilamente. Estiquei os braços e as pernas pronta para levantar para ir até o banheiro, mas o barulho do celular do Adam me interrompeu. O aparelho estava em cima do meu criado mudo e o peguei, vendo o nome da Ellie escrito. Me levantei, ficando um pouco longe de Adam. Acho que não teria problema atende-lá.

        — Adam? — Ellie perguntou agitada.

        — Oi, Ellie. É a Mary! Adam está dormindo — respondi apertando um pouco o telefone.

        —Oi, amiga. Quanto tempo! — a voz dela mudou, ficando mais animada — O que está fazendo com o celular do Adam há essa hora? Espera... Vocês dois tran... — a interrompi.

         — Claro que não! Ele está aqui em casa, estávamos assistindo um filme. — digo olhando para a janela — Quer que eu o acorde?

          — Não precisa. Eu só queria saber onde ele deixou a chave do meu carro... — ela falhou por um momento.

          — Ah, claro!

         — Beijos, amiga. Depois nos falamos

         — Claro, tchau!

         Após eu me despedir, ouvi o barulho da chamada sendo encerrada.

          — Estava falando com quem? — a voz rouca e grossa de Adam me faz levar um susto, e o celular do mesmo quase escapa da minha mão. — Isso é o meu celular? — arqueou a sobrancelha sentando na cama.

         — Ah, eu... Era a Ellie. — digo meio nervosa.

        Adam levantou rapidamente vindo até mim e em um segundo, ele tirou o aparelho da minha mão, me deixando paralisada.

        — Eu odeio que mexam nas minhas coisas, caralho! — esbravejou me olhando.

         — Desculpa... Eu pensei que não teria problema de atender a Ellie — tentei me explicar, mas Adam apenas negou com a cabeça respirando fundo.

          — Ela te disse alguma coisa? Ela te contou alguma coisa? — respirou fundo mais uma vez. Ele estava tentando se controlar.

          — Não! — respondi com a testa franzida.

        Eu estava um pouco assustada, para dizer a verdade. Foi de repente isso tudo. Eu não sabia que não podia atender a Ellie e que não devia mexer no celular dele. Adam não precisava surtar sempre.

         Caminhei para a cama e sentei-me, olhando para a parede creme.

         — Só não toca mais no meu celular. — disse mais calmo. Eu senti seu olhar sobre mim, mas não o olhei

          — Está bem, senhor Ashworth. Deseja mais alguma coisa? — perguntei com a quantidade de deboche altíssima.

          — Porra, Mary Angel. Não faz isso... — ele se aproximou, dizendo com a voz baixa.

          O colchão afundou ao meu lado e sua mão pousou na minha coxa. O olhei tentando parecer um pouco mais brava do que eu estava. Cheguei um pouco mais para o lado, me distanciando dele, cruzei os braços e virei o rosto para o outro lado.

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