XXII

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O gosto da sua boca já era familiar. Era uma delicia. Nossas bocas se encaixavam tão perfeitamente que eu até duvidava de tantas coisas. Seus lábios eram macios demais e isso me relaxava mais que qualquer coisa. Beijar Adam estava virando minha nova terapia. Ele agarrou a minha cintura com mais força e eu tive que me forçar a ficar na ponta dos pés para tentar o alcançar melhor. Agarrei sua nuca com as mãos 

         Grunhi entre o beijo quando o mesmo mordeu meu lábio inferior. Separei nossas bocas o olhando profundamente nos olhos.

          — Vamos lá para cima? — perguntou com o olhar direcionado para os meus lábios — Tem alguns quartos...

          — Acho melhor não. Vamos ir com calma. — arquei as sobrancelhas, esperando por sua resposta.

          Adam suspirou baixo e concordou com a cabeça.

           — Obrigado. — agradeci.

           — Adam, Adam... — ouvi alguém dizer atrás de nós e eu me separei de Adam rapidamente, ficando ao seu lado.

Quando olhei para a pessoa, pude ver o garoto ruivo do outro dia. Ele me encarava de cima a baixo e logo depois encarou Adam com um olhar meio preguiçoso.

— O que você quer? — esbravejou com os olhos semicerrado.

— Os caras estão reunidos lá em cima, vamos. — fez um sinal com a mão o chamando. Adam bufou, e provavelmente ele iria negar — Pode levar a loirinha.

Adam me olhou esperando a minha resposta e eu dei de ombros. De um jeito ou outro o Adam iria, com ou sem mim, e eu ficaria no meu canto, apenas. O Ashworth concordou com a cabeça com uma revirada de olhos.

          O garoto começou a se espremer entre aquelas pessoas completamente bêbadas e sem noção já indo em direção da escada. Adam fez o mesmo enquanto segurava a minha mão e empurrava as pessoas para que nós pudéssemos passar pela sala. Subir aquela escada foi mais difícil do que eu imaginava, tinha tantas pessoas ali que mal podíamos respirar.

         Jason, o ruivo, abriu a porta do quarto que ficava perto da escada. Quando me aproximei do quarto, Adam soltou a minha mão. Franzi a testa olhando para ele, não entendendo. Ele apenas deu de ombros agindo com indiferença e logo entrou no quarto, me deixando para trás. Quando pisei para dentro daquele cômodo, um cheiro de maconha invadiu minhas narinas, abanei o meu rosto tirando aquela fumaça da minha cara.

        Quando eu fechei a porta, todas as meninas — sem exceção — olharam para mim, de cima baixo e a garota que havia sido agredida por Ellie me olhou com nojo e reprovação. Desviei o olhar das meninas e procurei por Adam que estava em um canto com alguns garotos estranhos que possuíam tanto piercing que eu mal poderia contar. Até pensei em ir até ele, mas não queria me intrometer muito. Apenas me encostei em uma cômoda branca que tinha ali.

          Olhei para a minha calça jeans e percebi que eu estava mal arrumada para uma festa. Uma menina de cabelo até nos ombros e com um piercing na boca se aproximou de mim, com um sorriso sem graça e dois copos vermelhos na mão.

             — Aqui, para você. — estendeu o copo para mim, esperando que eu o pegasse.

           Eu não aceitava bebidas de estranhos, muito menos bebidas alcoólicas e além do mais, eu nem bebia. Olhei de canto para Adam que ria de algo que os garotos o disseram.

           — Obrigada. — sorri gentilmente para ela e peguei o copo da mão da mesma.

          A menina se afastou de mim, mas antes acenou com a cabeça. A minha intenção não era beber, nenhum uma gota sequer daquele copo, apenas iria enrolar com o copo na mão. Assim que eu olhei para Adam, a garota morena com os olhos cor chocolate — na qual foi vítima de Ellie — estava do lado dele, com as mãos em volta do pescoço dele enquanto Adam sussurrava alguma coisa no ouvido dela.

Meus pelos se arrepiaram e minhas mãos começaram a soar, soar tanto que o copo quase escorregou da minha mão. Minhas pernas fraquejaram e eu tive que me escorar na cômoda. Que porra era aquela?

Laura! Esse era o nome da garota.

Laura mordeu o lábio inferior e sua mão passou devagar pelo abdômen dele coberto. Adam virou a cabeça devagar, fazendo uma varredura pelo quarto e me olhou rápido, logo olhando para outro canto. Quando olhei para onde a mão dele estava, quase cai para trás e por sorte eu estava encostada na maldita cômoda. A mão dele passava pela bunda da garota e apertava devagar. Que canalha, desgraçado!

Meus olhos começaram a arder, e eu tive que piscar varias vezes para não começar a chorar por causa daquele... idiota, mulherengo! Eu fui muito ingênua e burra! Era de se esperar, Adam era o namorado da minha melhor amiga e a atraía... comigo. Não só comigo, com muitas garotas, provavelmente. Ele conseguia ser tão ridículo. Estava me beijando lá em baixo, todo carinhoso e quando entramos aqui, virou outra pessoa. Por céus! Ele estava com vergonha de mim? Deveria ser, era certo. Como eu não percebi isso antes? Eu sou tão ingênua.

         E por fim, era o cúmulo: a garota puxou a nuca dele muito rápido que até ele se surpreendeu, iniciando um beijo. E depois daquilo, eu não pude controlar as minhas lágrimas.

           Lágrimas molharam as minhas bochechas que provavelmente já estavam avermelhadas. Senti um olhar queimar sobre mim e vi que era o do Jason, acho que ele já havia entendido bem as coisas.

           Eu não iria ficar parada assistindo aquela pegação dos dois. Ellie tinha razão em estapear aquela menina! Coloquei o meu corpo com força em cima da cômoda cheia de garrafas e fui em direção a porta e girei a maçaneta com força, abri a porta e sai daquele quarto. Eu fechei a porta com tanta força que algumas pessoas que estavam no corredor, me olharam com espanto. Sorri meio sem graça.

          Passei as costas da mão no meu rosto, tentando limpar as lágrimas. Mas não adiantou, porque eu chorei mais.

           Era mais que óbvio, eu estava nutrindo alguma coisa por Adam em pouco tempo, e poderia ser pior?

            Comecei a andar pelo corredor sem rumo algum, indo e indo. Uma pessoa ou outra me olhavam pelo fato de eu estar chorando em uma festa, mas eu não ligava. Avistei uma sacada, no fim do corretor, ali era o único lugar sem ninguém, e talvez seria o único lugar de paz que eu teria naquela casa. Fui caminhando tão rápido para aquele lugar que estava quase tropeçando nos meus próprios pés.

Senti um aperto no meu peito e as lágrimas vieram com mais intensidade. Antes de eu colocar o pé dentro da pequena varanda, as luzes apagaram, deixando a casa em completa escuridão, sem nenhuma luz dentro. Varios gritos animados começaram a ecoar pela casa e palavras estranhas também. Eu não entendi muito bem no começo, mas depois fui ligando os pontos: era uma da manhã, a hora que acontecia a total pegação, onde acontecia a orgia. Um arrepio começou a subir pela minha espinha e o desespero se instalou em mim.

Eu precisava sair dali! O mais rápido que eu pudesse, mas a escuridão não me ajudava. Quando eu me virei para a direção oposta do corredor, bati contra um corpo musculoso e grande, e pelo perfume já sabia quem era.

— Mary? — a voz de Adam ecoou no corredor e eu segurei no braço dele — Vem, vamos sair daqui.

Ele segurou o meu braço e como eu queria o empurrar para longe de mim e o mandar ir para o inferno. Mas não o fiz, só precisava sair dali antes que as coisas piorassem. Eu tentava o acompanhar, mas quase tropecei algumas vezes e esbarrei em algumas pessoas que estavam quase se comendo no corredor da casa. Na escada tinha uma pequena luz acesa para facilitar a pessoa de subir e descer. Quando olhei para a sala, algumas pessoas já estavam... transando, uma com as outras, todo mundo junto. Franzi a testa e meu estômago se revirou.

Meus olhos queimavam por eu ter chorado e meu rosto estava ficando dormente.

Quando passamos pela varanda inicial da casa, soltei meu braço bruscamente da mão dele e parei, o encarando, podendo ver seu rosto de canalha.

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