Mal chegamos ao hotel e eu me preparei para sair novamente.
— Oliver, vou até a farmácia que vi aqui perto, não demoro – informo.
Ele me olha e franze o cenho, parecendo pensar se é uma boa ideia.
— Não quer que eu vá com você?
— Não há necessidade, serei rápida. Você precisa de alguma coisa de lá? – Refaço meu rabo de cavalo.
— Não, estou bem. Vou ligar para o meu primo, ele vai me dar notícias da sua família.
— Está bem. Eu já volto.
Deixo o quarto e o hotel, seguindo pelo lado esquerdo da rua. Haviam pessoas circulando por ali, mas o bairro parecia calmo e vazio.
A farmácia estava a duas esquinas, então apressei meus passos e segui caminho, nunca deixando de olhar para os lados.
Não demorei para alcançar o estabelecimento, entrando e sentindo o perfume de algumas fragrâncias que estavam enfileiradas na primeira prateleira. Caminho até o balcão do fundo e retribuo o sorriso que a atendente me dá.— Bom dia, posso ajudar você?
— Pode. Preciso de uma caixinha de pílula do dia seguinte com dois comprimidos, por favor.
Ela me dá as costas por alguns instantes, indo diretamente até o remédio e pegando uma caixa pequena, de cor branca.
— Obrigada – agradeço.
Volto para a saída, parando no caixa onde pagaria por minha compra. A outra atendente checa o código do remédio e o coloca em uma sacola pequena.
— Três dólares. – Me olha.
Pego a sacola e dou o dinheiro, recebendo meu troco, o qual guardo de volta ao bolso traseiro da calça.
— Volte sempre. – Ela sorri.
— Obrigada.
Puxo a porta de entrada e saída e abro a caixa de remédio antes mesmo de pisar na calçada, tomando a primeira pílula a seco.
Olho para o lado direito, checando se não havia nenhum carro vindo em minha direção, porém, quando volto a olhar para frente para atravessar a rua, vejo alguém que me faz congelar no lugar.
É ele.
O sorriso que está em seus lábios é terrível, então dou um passo para ir até ele, mas sou puxada do meu pequeno transe quando um ônibus passa em minha frente, fazendo meu coração acelerar pelo susto.
Quando o transporte passa, não o vejo mais na esquina, então olho para todos os lados para ver se consigo encontrá-lo, mas não consigo.— Droga! – Sussurro.
Saio logo dali, voltando para o hotel rapidamente. Jack já sabia sobre meu paradeiro, mas queria brincar comigo, me assustar. Bem, ele não teria sucesso, se era o que estava pensando.
— Foi rápida. – Oliver diz assim que me vê passando pela porta.
— Eu disse.
Deixo a sacola sobre a cômoda que havia ali e respiro fundo, tirando meus tênis e minha calça, não me importando com o olhar do doutor sexy sentado em uma das camas.
— Você está estranha. Aconteceu alguma coisa? – Franze o cenho.
— Não – respondo imediatamente. — Só estou um pouco preocupada, Jack está muito quieto – minto.
Agora eu sabia que não, pois havia acabado de vê-lo na rua, mas não contaria a ninguém, não podia. Se contasse a Oliver, ele diria à policia, e não é isso que quero, não agora. Se mais pessoas se envolverem, Jack Bailey irá desaparecer outra vez, e estou louca para que ele venha atrás de mim.
— Cedo ou tarde ele vai aparecer, nem que para isso tenhamos que fazer uma armadilha. – Não desvia os olhos do notebook enquanto diz isso.
— Será que ele cairia? – Ergo uma sobrancelha.
— Depende.
— Depende? – Me aproximo de onde ele está.
— Sim. Você teria que fazer com que ele viesse até você, mas de modo convincente o suficiente, para ele não desconfiar dos policiais.
Mordo o lábio, encarando o nada, pensativa.
— Nem pense nisso, Samantha. Você não vai ficar um segundo sequer com esse cara.
— A policia estaria comigo, escondidos, não aconteceria nada comigo. – Dou de ombros.
— Melhor não, não sabemos do que ele é capaz.
Apóio as mãos no colchão e me inclino até estar perto o suficiente de Oliver.
— Eu sei. Conheço Jack Bailey como ninguém, doutor. – Olho sua boca, depois seus olhos. — Conversaremos com a policia, bolaremos um plano para pegar aquele filho da puta e pronto.
— Você é ótima manipuladora. – Suspira. — Podemos fazer isso, mas com uma condição.
— Qual? – Sorrio.
— Eu vou junto.
— Não precisa dizer duas vezes, Oliver Gutierrez, você iria mesmo se não quisesse. – Mordo seu lábio inferior e iniciamos um beijo delicioso.
Ele fecha o notebook e o afasta, agarrando os fios claros da minha nuca e me puxando para o seu colo. Sinto-o já animado, então o abraço pelo pescoço e deixo que ele se aproveite de cada pedacinho do meu corpo.
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PSICÓTICA
Mystery / ThrillerPsicótica conta a história de uma mulher perturbada que teve como consequência a internação em um manicômio judiciário. O único psiquiatra da pequena cidade de pouco mais de dois mil habitantes, é Oliver Gutierrez, e ele terá a jovem psicótica como...