Capítulo 47

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Corvo

— Agora, o entregue lentamente para mim — exigiu assim que desliguei o celular. — A arma também.

— Não estou armado — elucidei, sem descansar meus olhos em outra coisa que não fosse seu dedo teimando em soltar o botão do detonador.

Eu não sabia onde a segunda bomba estava, em qual sala, mas Raj aguardar naquele corredor me fazia crer que eu estava perto.

— Não tente nenhuma gracinha ou viraremos churrasquinho — alertou e se agachou para pegar o celular que joguei.

— Você não tem que fazer isso.

— Disse o homem branco e rico.

— Não fale o que não sabe. Eu vim da merda e acabei indo pro caminho errado, assim como você, e por isso posso afirmar que não vale a pena. Matar alguém fará com que você viva para sempre sozinho e que nunca mais tenha uma tranquila noite de sono.

Suas pálpebras tremeram e as gotas de suor começaram a pingar.

— Raj... por favor — o murmúrio veio detrás.

Ah, maldita indiana.

— Se der mais um passo...

— Está mesmo disposto a morrer por essa causa? — Farah o pressionou.

Meu Deus do céu, a coisinha só podia estar querendo ver o inferno na terra.

A indiana parou ao meu lado e, assim como eu, ergueu as mãos em um gesto de redenção. Mas, ao contrário de mim, não parecia nada rendida.

— Você devia também estar. Era a nossa amiga!

— Eu posso lutar por uma causa, mas jamais abraçarei uma guerra.

Não era possível, a desgraçada só podia estar cega para não ter visto o homem prestes a acabar com a gente. Se a intenção dela era nos matar, devia ter feito isso nas milhares de oportunidades que tivera antes. Poupava-nos tempo.

A vontade de dar uma cabeçada nela e desmaiá-la aumentava gradualmente.

— Manish a amava e você o traiu.

— Que continue me amando debaixo da terra!

— O que quer dizer com isso? Vocês o mataram?

— Claro que...

— Farah! — A interrompi, brusco.

Estaria ela fazendo um jogo duplo?

— Ele está morto — ela continuou, sem me dar ouvidos. Tudo bem, aceitei o meu destino à sete palmos do chão. — O que significa que agora você está sozinho.

Raj lastimou, sentindo a dor de ter o melhor amigo assassinado, mas em momento algum pensou em desistir.

— Nesse caso, farei uma última coisa por ele

Seus olhos encheram-se de cólera, vermelho-sangue, e suspeitei que aquela fosse a cor do fim. O dedo trêmulo, que mantinha pressionando o botão, conduzido pelo sentimento de dever, se distanciou e eu gritei no calor do momento.

Ele já o havia soltado.

— NÃO!


— NÃO!

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O Corvo das Ilhas Gregas (DEGUSTAÇÃO)Onde histórias criam vida. Descubra agora