⚠️ 2 Temporada já disponível!!!
Hanna e John tinham uma relação um tanto diferente, amigos de infância e ao mesmo tempo amantes apaixonados. Diziam aos quatro ventos que eram livres, mas no fundo ambos se pertenciam. Ninguém o conhecia tão bem como...
Eu estava no escritório com Ada e Polly cuidando de algumas coisas, e tudo estava correndo bem; estava tudo estranhamente calmo. Thomas entrou pela porta acompanhado de John e foi direto para sua sala. De lá mesmo, pude ouvir sua voz:
— Vamos a um leilão hoje. Hanna, você vem? Você é boa em escolher cavalos. — falou enquanto mexia em uns papéis.
— Eu já estava com saudades disso! Londres estava me matando de tédio! — disse John, enquanto arrumava sua boina.
No exato momento, Arthur entrou com sua risada rouca e, ao passar ao lado de John, bateu no ombro dele.
— Tem certeza, John? Pra mim, você aproveitou muito. — riu de forma sarcástica, provocando o irmão.
— Vou me trocar. — levantei-me e, com uma expressão séria, passei por John sem olhá-lo.
Fui para casa e vasculhei meu guarda-roupa por alguns segundos, até encontrar algo que me agradasse naquele momento. Vesti-me e, para completar o look, calcei um par de saltos vinho-avermelhados e coloquei uma boina preta na cabeça.
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Saí de casa e caminhei em direção ao escritório. Quando cheguei, vi que o carro já estava na frente e avistei Arthur, John e mais alguns homens conversando. Ao perceberem minha presença, todos, menos Arthur, me olharam de cima a baixo.
— Perdeu alguma coisa, Curly? — John falou em alto tom, fazendo Curly se assustar.
— Não, John. — Curly abaixou a cabeça, demonstrando medo.
— Não precisa ficar com medo, Curly. O que achou dos sapatos, hum? — abri um sorriso provocativo e subi o olhar até John.
— São muito bonitos, Hanna. — Ainda com um pouco de medo, Curly deu uma breve olhada nos sapatos.
Thomas saiu e, sem dizer nada, todos entraram no carro. Por "coincidência", John se sentou ao meu lado no banco de trás, mas eu permaneci calada. Estávamos na metade do caminho, e Arthur não parava de fazer suas piadas, que, mesmo sendo pesadas às vezes, eram engraçadas, eu tenho que admitir.
— Você tá usando o colar. — John disse, olhando para o meu pescoço.
— Pois é, nem percebi que ele estava aqui. — Continuei olhando para a janela.
— Sei. Você nunca soube mentir, Hanna. Pelo menos não pra mim, que te conheço tanto. — Soltou uma risada e passou o braço sobre meus ombros.
— Já você, né? Sempre foi profissional nisso. — Tirei o braço dele.
Ele riu da minha resposta arisca e voltou a olhar para a estrada.
[...]
O leilão, como de costume, estava cheio de pessoas. A maioria parecia ser bem rica e, por onde andávamos, atraíamos olhares — alguns de curiosidade, outros de medo e até de reprovação. Nada que nos afetasse. Não demorou muito até as apresentações dos cavalos começarem, e eu então iniciei o que tinha ido fazer. Vários cavalos haviam passado, mas um em específico chamou minha atenção: era a égua perfeita. Majestosa, só de olhar dava para perceber que ela traria muitas vitórias.
— É aquela, Thomas. Sua vez agora. — Apontei com a cabeça, indicando a escolhida, e então me virei de costas, encostando-me no muro.
Thomas, sem pestanejar, começou a dar os lances pela égua. O leilão estava correndo bem, até que avistei Joseph chegando do outro lado, acompanhado de dois homens,provavelmente trabalhadores dele.
— Isso não parece bom. — Aproximando-me de John, falei baixo.
— Parece que alguém realmente voltou para as corridas. — John o encarava.
— John, sem provocações, tá me ouvindo?! Aqui não! — Virei seu rosto para mim.
— Se ele ficar na dele, não vai acontecer nada. — Disse, olhando para mim.
O leilão acabou e, com sucesso, compramos a égua. Enquanto Thomas, Arthur e John conversavam com as pessoas, eu fui ao estábulo ver a égua de perto e acertei tudo para o transporte.
— Eii, garota, você é maior do que eu esperava. — Fiz carinho em sua cabeça.
Passei alguns minutos ali com ela, enquanto resolvia tudo para o transporte. Depois de acertar tudo, caminhei em direção aonde todos estavam, mas parei no meio do caminho ao sentir uma sensação estranha. Olhei para trás rapidamente e não vi nada, mas meu sexto sentido não errava: havia alguém me seguindo ou, pelo menos, me observando.
Voltei a andar, fingindo que nada acontecia, e mais uma vez senti a presença de alguém. Olhei para trás e não havia nada. Caminhei lentamente em direção a uma porta, mas, ao ouvir um barulho, minha atenção foi roubada e voltei a seguir meu caminho. Encontrei Thomas, John e Arthur e me juntei a eles, ainda pensativa sobre quem estava atrás de mim, permanecendo calada. Saímos dali e fomos para o carro.
A maior parte do caminho eu permaneci calada, com o pensamento longe. A possibilidade de ter sido um dos homens de Joseph ou até ele próprio era grande. Algo me dizia que era algo além disso; que não havia sido uma artimanha dele... pelo menos ainda não.
[...]
Chegamos em casa e saímos do carro. Thomas entrou no escritório e Arthur fez o mesmo. Fui a última a sair do carro e, antes mesmo de começar meu caminho para casa, fui parada por John.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou.
— Não, estou exausta, John. Amanhã nos vemos, ok? — Neguei com a cabeça e suspirei.
— Ok... Vai descansar, até amanhã. — Aproximou-se e me deu um beijo demorado.
Nos separamos e eu fui para casa. Leilões costumavam ser bastante cansativos, então apenas tomei um banho e fui direto para a cama.
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