Torre - 21 - Grande barba espessa

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— Se o senhor Agol estiver de acordo, eu posso entregar a missão para vocês...

— Pai? — Olhei pra ele.

— Hum. — Ele apenas acenou com a cabeça.

— Haaaa... — Eliza suspirou balançando a cabeça e colocando a mão no rosto. — Está bem. Aqui está a missão. Infelizmente vocês terão que verificar os detalhes no posto avançado nas minas. A recompensa está estipulada em 25 moedas de ouro no total.

— 25?! — acabei pensando alto.

— Sim. Começamos com 5 moedas, oferecidas pela associação de mineradores, mas a associação de mercadores também colaborou nesse meio tempo. Está começando a afetar muita gente conforme o tempo passa.

— Entendo. Só uma pergunta. Se mais grupos de exploradores participarem, como fica a partilha da recompensa?

— Ora... Normalmente eles dividem por igual, conforme o número de participantes, mas... não é uma regra, sabe? De qualquer maneira a associação só pagará as 25 moedas de ouro e vocês dividem como quiser entre os exploradores.

— Está bem. Já podemos ir?

— Ah, espere! Eu recomendo vocês passarem na loja ao lado. Eles vendem ferramentas e vestimentas próprias para exploração. A loja daqui é especialista em exploração nas minas, então podem ter coisas lá que podem interessá-los.

— Ah sim. Muito obrigado. Vamos indo então, pessoal?

— Tenham uma boa sorte. Vão precisar — disse Eliza enquanto nos dirigíamos à porta.

A loja que Eliza nos recomendou vendia itens como lanternas, cordas e picaretas, além de armas e vestes de proteção básica. Nós acabamos comprando um kit básico, sugerido pelo vendedor, e também alguns equipamentos de proteção como joelheiras e cotoveleiras. Ao todo não deu 20 moedas de prata.

Haviam outros itens mais sofisticados e armamentos pesados, mas primeiro decidimos ir com o básico para verificação. As minas ficavam mais à frente da vila, seguindo por um caminho montanhoso. Após alguns minutos de caminhada, encontramos um grande buraco aberto e escuro no meio da montanha.

— Thalli. Deve ser ali.

Soha apontava para para uma cabana de madeira, um pouco afastada do buraco, que tinha um grande galpão aberto ao lado com vários tipos de rochas empilhados. Ao redor da cabana, muita gente passava correndo para lá e para cá. Carregavam carrinhos com rochas, entravam e saiam do buraco, mas não havia sequer uma pessoa parada.

— Vamos lá.

Adentramos aquela cabana pela porta à direita. Ao entrar, nos deparamos com pessoas, suadas e com cansaço no olhar, encarando um mapa estendido sobre uma mesa. Alguns homens estavam armados e outros com trajes grossos como lona de carroça. Estavam tão concentrados no mapa que nem notaram a nossa chegada.

— Com licença — falei com voz baixa.

— Hum? Quem entrou aí?! — Escuto uma voz grossa vinda do fundo da sala. Todos em volta da mesa viraram só o pescoço em minha direção.

— Pai. Acho melhor o senhor falar — sussurrei pra ele.

— Hum. Viemos aqui pela missão. Falamos com quem?

— Venham aqui! Não atrapalhem o pessoal aí! — A voz grossa do fundo nos chamou.

Enquanto o pessoal em volta da mesa nos olhava em silêncio, rodeamos eles até chegarmos a uma escrivaninha no fundo daquela sala. Lá estava o dono da voz, sentado atrás da escrivaninha. Não consegui deixar de reparar em sua grande barba espessa e em seu corpo robusto.

A Jogada de ThalliOnde histórias criam vida. Descubra agora