(Reprodução completa. Xeque)
Esqueci-me dessa sensação. Dessa vez o aviso era diferente. Reprodução? Como um vídeo? Enfim. O importante é que sei o que está para acontecer e o que devo evitar é o mate. Estamos de volta na rua das lojas, prestes a virar no beco. Parei por um instante.
- Thalli? - Meu pai também para e se vira pra mim.
Vamos pensar. Tem pelo menos 3 deles à espreita. Fomos atacados os 3 quase ao mesmo tempo. Pode ter mais deles também, então esse é o número mínimo. Meu pai é bem forte, então poderia dar conta de pelo menos 2. A Soha com sua velocidade, poderia dar conta de pelo menos 1. Já eu... o que eu poderia fazer?
Mesmo essa rua, com alguma iluminação, já não tem muita gente passando e está praticamente desolada. Se eles vão nos atacar, já devem estar nos observando mesmo antes de entrar no beco. Então eles podem nos seguir mesmo se formos por outro caminho e nos atacar mesmo assim. Tenho que enfrentá-los.
- (Pai. Soha. Se preparem.) - Cochichei só pra eles mesmo ouvirem.
Meu pai entendeu o recado e acenou com a cabeça. Soha pareceu confusa de início, mas olhou para o beco e se estremeceu com calafrio. Então voltou a me olhar e acenou com a cabeça. O mais importante agora era detectar o momento exato para o contra-ataque. A vantagem era que eu sabia.
Entramos de vez no beco e começamos a andar. Dessa vez prestei mais atenção aos sons. Existe uma vantagem em ser elfo. Nossas orelhas não são pontudas e compridas à toa. Muitas histórias de fantasia se esquecem de apontar esse detalhe como se fosse apenas um apetrecho o formato de nossas orelhas.
Nossa espécie, ou raça, se adaptou à vida na floresta. Escura e de pouca visibilidade, foram necessários sentidos mais apurados para a sobrevivência. Nossas orelhas e ouvidos, como podem imaginar, são mais sensíveis do que os humanos comuns. Nossos cérebros estão adaptados a filtrar melhor esses sons e com um pouco de foco... podemos ouvir passos atrás das colunas dos prédios!
- Corram! - Subitamente gritei para os dois e os atacantes ouvirem.
- (Tss) Peguem eles! Matem só os machos!
Já estávamos no meio do beco quando eles surgiram. O que gritou parece ser o líder e surgiu na nossa frente junto a mais dois caras. Outros dois surgiram atrás. Eles estão em cinco. Soha estava logo à minha frente. Conseguimos a vantagem de detectarmos o ataque, mas estamos em desvantagem pelo número. Temos que apostar.
- Soha! Peque os dois de trás! Pai! Pegue os dois da esquerda! O líder é meu!
- Ataquem! - O líder à direito ordenou.
Coloquei toda a minha força na parte de baixo do corpo e estranhamente comecei a sentir algo estranho. Eu me lembro dessa sensação. Quando enfrentamos aqueles primatas senti a mesma coisa. Dizem que quando estamos prestes a morrer, o nosso cérebro começa a processar tão rápido as informações que parece que o tempo desacelera. Os últimos momentos de nossa vida podem ser os mais longos momentos.
Comecei a disparar em direção ao líder. O beco continuava escuro e só se via as silhuetas. O ar por onde eu me movia parecia feita de gel de tão difícil que estava se mover. Meu corpo respondia lentamente como se houvesse um grande atraso entre a minha ordem do cérebro partir e chegar aos músculos. E eu enxergava claramente cada movimento dele que se posicionava para o combate.
E então aquele sorriso passou por mim. Soha tinha se virado e já estava me passando. O movimento de seu corpo não parecia tão lenta quanto os demais. Parecia que estava me acompanhando. Ela virou o pescoço e abriu um grande sorriso olhando pra mim. Eu me lembro desse sorriso em que sincronizamos nossas ações contra aqueles primatas. Então ela se vira novamente e encara um dos caras de trás.
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A Jogada de Thalli
FantasyEsta é mais uma história de uma garota deste mundo. Ela reencarna no corpo de uma criança elfa negra, em outro mundo, com todo o conhecimento anterior após morrer em um acidente. A criança é um menino. A confusão sobre seu novo sexo, cultura totalme...
