Torre - 09 - Dois pezinhos em baixo do carrinho

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Eu levei uma tremenda bronca da senhora Finarla por ter falado para Soha que eu viajaria com meu pai. Infelizmente como Soha já ficou sabendo não havia mais o que fazer, mas a composteira estava me aguardando na volta.

Para a viagem só resta verificar necessidades específicas de cada morador que felizmente senhor Thorel tem anotado de toda vez que alguém vem pedir pra senhora Finarla. Espero encontrar tudo em Riagorma. A maior parte são ferramentas de metal.

Pelas anotações do senhor Thorel, em Orahere poderiam pagar melhor por nossos produtos, no entanto os mantimentos e outros produtos que estamos buscando seriam muito mais caros. A Vila de Riagorma fica bem no meio da planície e a maior parte da produção de alimentos dessa região é feita nos arredores de lá.

Fui pra casa, jantei e fui dormir. No dia seguinte estava verificando as contas que eu tinha feito para não ter erros. Aqui na vila não utilizamos nenhuma espécie de moeda. A senhora Finarla e senhor Thorel também não tinham o costume de guardar alguma das trocas. Como nossa produção aumentou e temos um pouco de folga, nessa viagem vou deixar trocado alguns produtos por moeda e guardar para quando precisar.

Saí um pouco de casa e fui dar uma passada no poço. As crianças brincavam como sempre. Nida estava jogando dama com Manne. Lowel estava falando alguma coisa com Dastar e ele ouvindo atentamente. Soha estava pedras na parede abaixo da casa dela.

- Oi Thalli! Vem aqui você também.
- Oi Lowel.
- Então, como eu estava dizendo, acho que o vermelho está ficando meio caído. Além do mais todo mundo desfilando de vermelho pra lá e pra cá, parecemos um bando de animais sem senso algum de vestimenta.
- Mas Lowel... O meu pai falou que...
- Não, não, não. Não me venha com essa estória de novo, Dastar. Já tem muita gente fazendo essa homenagem o tempo todo. Não precisa ser todo mundo né?!

Acho que vou deixar eles debaterem isso à vontade. O vermelho de nossa roupa é uma homenagem aos que morreram na batalha pela Grande Árvore. Como nunca me importei muito desses assuntos, me afastei e fui ver como estava Soha.

- Oi Soha. Tudo bem?
- Hummmmmm....
- Soha?
- Ah. Oi Thalli! Tá tudo ótimo.
- Ficou tudo bem com a senhora Finarla.
- Sim! Está tudo ótimo!
- Humm... Então tá. Está fazendo o que?
- Nada não. Só passando tempo.
- Errr... Está bem então. Vou lá porque ainda tenho que me preparar para a viagem de amanhã.
- Ah sim. Quando vai sair?
- Vou de manhã bem cedo.
- E volta quando?
- Acho que em uns 3 ou 4 dias se der tudo certo. Tchau Soha.
- Tchau Thalli. Até mais.

Soha estava estranha. Parecia não querer que eu ficasse muito tempo ali e nem tentou mais ir comigo. Ela deve ter conversado muito com a senhora Finarla. Fui à casa da senhora Finarla, verifiquei que estava tudo certo com o carregamento, aproveitei e ajudei ela com as coisas dela e assim se foi acabando o dia. Quando Soha voltou pra casa era a vez de eu ir para a minha.

- Oi Thalli. Já está indo?
- Oi Soha. Sim. Já estava de saída.
- Então tá, até mais.
- Até Soha.

Ela me levou até a porta com aquele sorriso maravilhoso de sempre. Parece que ela está bem. Bom... vamo pra casa, dormir cedo porque amanhã vou viajar. Cheguei em casa e minha mãe estava preparando nossa comida para viagem. Ela colocou algumas linguiças que eu fiz, pães e algumas frutas. Meu pai já havia se deitado e depois de jantar fui fazer o mesmo.

...

De manhã cedo, estava com meu pai ao lado do carrinho. Estava um pouco escuro ainda, começando a amanhecer. Infelizmente não poderemos trazer tudo que conseguirmos lá nesse carrinho, mas falaremos com algum mercador que queira transportar para nós. Estava terminando e amarrar o carregamento quando ouvi um barulho pequeno.

- Hã? Pai. Ouviu algo?
- Hummm... Não. O que foi?
- Hum. Não sei. Acho que não é nada.
- Tá. Vamos então. Precisamos chegar em Riagorma antes de anoitecer. Está tudo certo?
- Sim, pai. Vamos.

Então partimos da vila. Passamos pela entrada e seguimos pelo caminho no meio do bosque. Quando terminamos de atravessar o bosque, o Sol já tinha raiado completamente e então eu vi a imensidão daquele pasto verde, o céu azul, pequenos morros que se viam por aqui e ali e aquela cordilheira à minha frente lá no fundo com os picos nevados. A estrada em que caminhávamos se tornou uma linha de terra em meio ao pasto que se estendia para além do morro.

Seguimos o caminho por essa estrada até encontrarmos uma outra com uma placa e um chão de terra batida ao lado. Na placa estava escrita "Rodadanhel". Ali parecia ser também um local de descanso e acampamento. Havia uma fogueira já queimada ali. O Sol já estava a pino quando chegamos ali.

- Certo Thalli. Vamos descansar um pouco aqui.
- Quer comer algo pai?
- Não. Só me dê a água.
- Tá.

Fui então atrás do carrinho onde deixamos nossas coisas. Esse carrinho é grande até. Seria o tamanho máximo que uma pessoa conseguiria puxar sozinho. Uma grande caixa de madeira sem tampa alguma com puxador na frente, um eixo de roda de madeira e um espaço em baixo com materiais caso precise reparar o carrinho no caminho. Quando cheguei lá atrás, qual foi minha surpresa, notei dois pezinhos em baixo do carrinho.

- Pai!
- O que foi Thalli?!

Meu se aproximou correndo e eu me abaixei para ver em baixo. Lá estava Soha, dormindo como um anjo. Bati na perna dela para que ela acordasse.

- Hummm...

Meu pai também viu aquela cena e colocou a mão na cara assim como eu.

- Ei! Soha! Acorde!
- Hummm... Mais um pouquinho... Hummm... Ha! Ai! - Ela bateu com a testa no fundo do carrinho. - Thalli?! Ahaha... Oi! - Ela veio saindo e sorrindo como se nada tivesse acontecido.
- O que está fazendo aqui, Soha?
- Ahaha. Eu vim te acompanhar na viagem oras.
- Pai. Vamos voltar. Não vamos ter problemas se partirmos amanhã. - Disse me virando para meu pai.
- Espera! - Ela então agarrou meu braço.
- Soha. Não podemos te levar. A senhora Finarla ficaria furiosa conosco.
- Tá. Me deixe só te mostrar uma coisa.
- O que é?
- Isso.

Então ela desapareceu da minha frente.

A Jogada de ThalliHistórias para pegar e não largar. Descubra agora