Índia 🦋
Voltei pro Vidigal no dia seguinte bem cedo, eu estava fazendo um curso de maquiagem profissional na pista já tinha um tempo. Faltava bem pouco pra eu ter meu diploma e eu não podia ficar faltando no final dando mole pô.
Não pretendo seguir nessa vida mas eu sou apaixonada por isso, quero me especializar e aprender mais e mais a cada dia. Se eu não fosse continuar no crime, com certeza faria faculdade de estética.
Talvez um dia eu possa atender algumas pessoas aqui do morro mesmo, sei lá, deixa esses bagulho pro futuro. Agora tenho que focar no meu presente.
Acabei de produzir minha modelo, a professora avaliou os detalhes e me elogiou bastante, na moral, não elogia minha beleza não, elogia meu esforço, fico 10x mais satisfeita.
Tirei fotos para guardar e assim que acabou a aula de hoje, juntei minhas coisas pra voltar para o morro novamente.
Quando sai do prédio, ali estava Foguete trocando ideia com uma das minhas colegas de sala. Fiquei afastada tentando escutar, sou maria fifi mesmo.
Foguete: Me passa teu número pô.
Lídia: Tô sem celular esses tempos gato.
Foguete: Caô, sério mermo? Quer que eu roubo um pra tu vidona?
Comecei a rir pra caralho, a cara desse filho da puta nem queima.
Índia: Quando tu arrumar um telefone me da ideia que eu passo o número dele pô. - Disse pra Lídia que assentiu.
Lídia: Não sabia que se conheciam.
Índia: Ele é meu irmão. Bora.
Falei assim que subi na garupa, Foguete despediu da garota guiando para o Vidigal, eu não aguento não papo reto.
Assim que estávamos perto, escutei barulhos de tiro, estava tendo invasão. Meu coração acelerou num tanto, nem vi eles antes pô.
Foguete deu a volta tentando entrar na favela mas seria perigoso nessa troca de tiro, estávamos sem colete e sem arma alguma. Ele afastou dali e ficamos aguardando um tempo até acalmar.
Fiquei calada o tempo inteiro respirando fundo com os olhos fechados. Não conseguia me distrair um segundo se quer.
Foguete: Guto já te deu notícia?
Índia: Guto? Que que tem o Guto?
Foguete: Ele chegou aí antes de eu ir te buscar pô, Magnata mandou ele vim pegar a grana da missão com seu pai.
Agora que eu fico desesperada mermo. Peguei meu celular ligando pro mesmo, chamou até desligar 2x. Tentei a última vez até ele atender depois de um tempo.
Índia: Porra Gustavo, você tá bem?
Guto: Só tomei um de raspão, tô bem pô. - Disse tentando controlar a respiração que estava cansada, escutava tiros ao fundo.
Índia: Onde é que tu tá?
Guto: Escondido, vieram me pegar Luiza. Trouxe guerra pro teu morro pô, só arrumo treta pra tu e tua família.
Índia: Quem foi te pegar?
Guto: O mesmo de sempre pô, esse filho da puta não me esquece.
Índia: Não sai daí, por favor. Os tiros tão diminuindo pelo jeito, fica aí em segurança.
Guto: Se cuida também pô, eu morro se eu perder você.
Índia: Eu amo tu, Gustavo. - Disse encostando minha cabeça nas costas de Foguete e soltando minha respiração.
Guto: Eu amo tu pra caralho minha vida. Eu e tu sempre pô, sempre.
Índia: Sempre. Mato e morro por tu.
Guto: Mato e morro por tu minha Índia.
Desliguei a chamada um pouco mais aliviada mas ainda com o coração doendo, Foguete me olhava sorrindo igual um retardado, virei um tapão em suas costas.
Foguete: Tu tá tão você com ele, sentia falta dessa garota pô, na moral. Antes do Gustavo tu nem parecia majs a mesma irmã que eu sempre tive.
Índia: Não gosto de tá assim não, eu tentei mesmo não ficar desse jeito mas nem deu certo depois daquele dia que ele foi baleado. Pessoas usam fraquezas uma das outras para se ferirem, toca lá onde dói, aperta a ferida mesmo porque sabe que é ali que machucam. Na vida é assim, mas na que nós levamos é pior ainda já que é regada de ódio, egocentrismo e ganância. Tenho medo de alguém querer me ferir e usar ele, minha família, a Mirella, você ou o Fael. São as únicas pessoas que me importam hoje já que tiraram uma delas de mim. - Disse com um sorriso triste com a mão no meu medalhão.
Abri ele para o mesmo ver, ele sorriu e em seguida fechou o mesmo me puxando pra um abraço forte.
Índia: Não aguento perder mais ninguém pô.
Foguete: Tu não vai, confia em mim. - Ele disse olhando nos meus olhos ainda no abraço, assenti suspirando mesmo que eu não conseguisse acreditar nisso. Ficamos ali nos olhando por um grande tempo, ele sorriu olhando todo meu rosto com calma, fiz carinho na sua bochecha e o abracei novamente com meu rosto em seu pescoço.
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O Nosso Para Sempre
Fanfiction"O nosso para sempre foi complicado, por muitas vezes achei que não aguentaria, que era o fim pra nós. Mas nunca foi, nós sempre dava um jeitinho de tá ali um pelo outro. E por isso foi tudo perfeito, talvez não pros outros mas pra nós sim, e é isso...
