Índia 🦋
Acordei sorrindo atoa, Nicolas cuidou de mim o sonho todo pô, o tempo inteiro fazendo carinho em meu cabelo, acordei bem melhor mesmo.
Me arrumei bem rápido e tomei café descendo pra boca, assim que cheguei vi Foguete de costas.
Índia: Filho da puta, sumiu por que? - Dei um tapão no cabelo dele que tava cortadinho na régua.
Foguete: Tu é uma piranha, na moral. - Colocou a mão na cabeça fazendo careta - Eu tava de férias, mandada.
Índia: E não avisou por que?
Foguete: Tu nem liga pra mim.
Índia: Teu cu garoto, eu tô aqui todo dia te perturbando, para de caô. - Abracei ele que retribuiu.
Foguete: Tu tá bem? Tá geral comentando que tu brigou com o Guto pô.
Índia: Bando de pau no cu, odeio fofoquinha.
Foguete: Tá bem ou não pô?
Índia: Tu me conhece a anos, tu me viu triste quantas vezes?
Foguete: Umas três, no máximo.
Índia: Tu acha que vou ficar mal por macho? Te orienta garoto, faz eu meter bala em tu não. - Ele começou a rir balançando a cabeça.
Foguete: Tu é uma pedra, irmã.
Índia: Obrigada pô. - Dei um beijo em seu rosto e entrei na boca vendo meu pai, Pedrinho e TH.
Índia: Oi meus lindos. - Beijei a bochecha deles e deitei no colo do meu pai.
Neguinho: Tu tá bem princesa?
Índia: Todo mundo desgramou a me perguntar isso hoje pô. - Ri negando com a cabeça - Tô bem ué, por que não estaria?
Neguinho: Guto chegou aqui ontem transtornado, olho e nariz vermelho, cheirou cocaína pra caralho mermo, ele veio aqui doido procurando tu e disse que tinha falado merda pra tu e precisava concertar, ninguém entendeu porra nenhuma, ele guiou pra barreira e ficou lá esperando tu. Os vapores disseram que tu negou voz pra ele, achei que tava mal pô.
Neguei com a cabeça deitando nele de novo.
Índia: Falou merda mermo, que eu era igual qualquer uma, que ele fez aquilo no baile atoa, passou papel de otário e que eu fui o maior erro da vida dele.
Neguinho: Eu vou matar ele, tô falando na boa mermo. - Deu pra ver no olho do meu pai que ele ficou puto, beijei seu rosto rindo.
Índia: Relaxa pô, pra me deixar mal tem que falar muito mais que isso.
Pedrinho: Tu tá bem mermo? Não soltou uma lágrima não?
Índia: Amém pô, papo reto, tô bem mermo.
TH: Eu disse que ela tava bem, essa porra liga pra nada não, e se liga nós nunca vai saber. - Ele me deu um beijo na testa e saiu da boca com o fuzil nas costas.
Pedrinho: Mermo assim, falar que tu é um erro? Tu já até se machucou pra ajudar ele pô, papo errado na moral. Se fizer merda de novo tem caô não, vai afastar de tu mermo.
Levantei o abraçando, ficamos ali rindo e conversando atoa por uma cota, os dois palhaço fazendo de tudo pra eu rir.
Guto: Luiza?
Escutei a voz dele e me virei o olhando, nunca vi ele tão destruído na moral. O rosto todo acabado, olheira funda, olho vermelho, todo fudido.
Índia: Fala tu.
Guto: Bora conversar? Na moral mermo.
Pedrinho: Ela até pode ir mas tu vacila mais uma vez com ela pra tu ver se fica vivo pra contar história. - Ele apontou na cara do Guto, tô ligada que se fosse outra pessoa Guto tinha matado mas Pedrinho tá na razão pô.
Guto assentiu e estendeu a mão, neguei e saí em sua frente escutando a respiração funda do mesmo. Subi em sua moto e assim que ele subiu, guiou até uma praia que era mais deserta pra não ter risco de bota. Fiquei ali sem encostar um dedo nele, preferia cair da moto do que quebrar meu orgulho, papo reto.
Desci e fui me sentar na areia, ele sentou do meu lado mas numa distância boa sabendo que eu estava com raiva.
Índia: Me trouxe aqui pra ficar calado? Bora porra. - Falei impaciente vendo ele olhando pra praia. Ele me olhou em silêncio e ficou assim até começar a falar.
Guto: Não sei o que falar pô, só queria resolver com tu. Fiquei irado mermo quando vi vocês lá, o filho da puta te olha diferente Luiza e qualquer um percebe isso. Tu também curtia ele que eu sei, aí pensa se fosse ao contrário pô, tu chegasse na favela e eu estar abraçado com uma garota beijando a cabeça dela. Fui pra casa no ódio mermo, cheirei pra caralho e tu chegou, eu não abri a porta porque sabia que ia te machucar e eu não ia suportar isso não pô. Falei a pior porra ontem, tu nunca foi um erro Luiza, nunca pô, tu faz por mim coisa que eu nunca vou ser capaz de fazer por tu, na moral. Eu só tava com raiva pô, juntou a droga, não justifica mas foi isso, se eu tivesse normal nunca ia falar isso Luiza, nunca e tu sabe disso pô. Eu sempre deixei claro como tu é importante pra mim, como tu mudou minha vida pra melhor, eu quero estar contigo pra tudo pô, ter nossa família, nossos filhos, nossa casa, quero tá sempre com tu na moral. Eu mato e morro por tu porra, quando eu vi tu quase sendo pega naquela missão eu fiquei maluco, não ia suportar te perder não, papo reto. Me perdoa, de coração mermo, pelo que eu falei pô, isso nunca vai ser a verdade. Se fosse a verdade eu ia ficar com medo daquele jeito de te perder? Igual no dia que eu fiquei maluco por causa da minha mãe pô, nunca senti tanto medo de tu me largar, se tu fosse um erro eu não ia ficar assim.
Escutei tudo calada, nem quis falar nada não, não preciso de bater cabeça, se continuar nessa porra eu saio fora, não sou obrigada a aguentar esse tipo de coisa não. Uma vez beleza, duas talvez, passou disso fodase, sou otária não.
O abracei de lado e ele me puxou forte me beijando.
Guto: Me perdoa, na moral. Eu amo tu. Odeio fazer tu ficar mal.
Índia: Mal é uma palavra muito forte, fiquei com raiva só.
Guto: Tu não se magoou não?
Índia: Ainda mais quem. - Dei de ombros e o mesmo me olhou estranho, ele vai morrer sem saber que eu me importo, nem fudendo irmão.
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O Nosso Para Sempre
Fanfiction"O nosso para sempre foi complicado, por muitas vezes achei que não aguentaria, que era o fim pra nós. Mas nunca foi, nós sempre dava um jeitinho de tá ali um pelo outro. E por isso foi tudo perfeito, talvez não pros outros mas pra nós sim, e é isso...
