Capítulo 16

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Guto 💰

Thiago disse que a mina mal se abre com ele, ver ela contando tudo aquilo com o olho cheio d'água, me deixou felizao de ver que ela confia em mim.

Quando ela me beijou lá na favela dela, eu fiquei doido. Queria essa pretinha pra mim, se fosse por minha escolha nós tava no quarto até agora fudendo. Só espero que depois que nós fuder essa feitiçaria acabe, posso apegar não irmão, mulher é muita treta!

Ela passou mó visão pros moleque e nem mentiu não, é muito neguinho sonhando em ser médico, jogador, advogado, mas quem disse que alguém bota fé em morador de favela? Ainda mais se for preto. Preconceito rola solto no mundão, e é isso que motiva eles a entrar pro crime.

Precisa de dinheiro pra ajudar em casa, não arruma emprego. Quer estudar fora? É olhar torto, gente te colocando pra baixo e acabando com suas expectativas. Eu tô ligado que muita gente entra pra ter dinheiro fácil, pra pagar de bandido com um oitão na cintura, mas nem todo mundo é assim tá ligado? E quem não é, sofre pra caralho e o sistema tá pouco se fudendo. A realidade é essa, e espero que daqui um tempo, esses mesmo menor mude isso, que geral comece a olhar pra nós como gente, não como se todo morador fosse bandido que merece a morte.

Guto: Vai tomar um banho garota, ainda falta dois lugares pra nós ir.

Índia: Porra Guto, tô cansadona.

Guto: Tu vai perder a chance de sair com um gostoso desses? - Apontei pra mim dando uma voltinha fazendo a mesma sorrir, ela levantou indo pro banheiro, arrumei uma roupa pra ela na loja aqui da Rocinha e coloquei na cama pra ela.

Fiz de tudo pra ela distrair já que vi que ela ficou tristona depois de lembrar dos bagulho do passado e deu certo. Ver esse sorriso jogando bola com os moleque igual uma criança já valeu meu dia na moral. Tava cansado também pô, mal dormi de noite, mas queria ver ela melhor.

Tomei um banho no banheiro do meu quarto, me vesti e passei perfume. Coloquei meus ouros, uma g18 na cintura e bati na porta do quarto que ela estava.

Ela demorou um pouco e saiu penteando o cabelo que estava molhado.

Guto: Tu precisa daqueles bagulho pra secar e alisar? Meu pai comprou pra deixar aí pras mulher que ele come. - Ela começou a rir negando com a cabeça.

Índia: Ele seca naturalmente.

Guto: E fica liso sem fazer nada? - Ela assentiu e eu olhei bobo, cabelo dela é lindo pra porra irmão, jurava que ela passava aqueles bagulho de mulher pra alisar.

Índia: Tudo natural, bebê. - Disse jogando o cabelo, toda se achando, mandada do caralho.

Debochei dela descendo e sentindo ela atrás de mim, peguei a chave da moto e guiei até o melhor hambúrguer aqui da favela.

Ela ficou na moto depois de eu apresentar ela pra geral, peguei nossas comidas e fui até o topo do morro, subimos na laje da onde é a salinha de tortura, já tinha as cadeiras aqui e tudo certinho, eu sempre vinha aqui quando tava começando a ficar bolado com algo.

Não podia perder tudo isso por algo que eu consigo controlar, e me acalma pra caralho principalmente se eu tiver com uma verdinha.

Índia: Caralho, é lindo. - Ela se sentou na cadeira olhando toda boba pra cada detalhe do meu paraíso particular.

Guto: Venho pra cá sempre, pô.

Índia: Pra pensar? - Eu assenti arrumando as coisas pra nós comer, ela pegou o dela comendo e continuava olhando a vista.

Ficamos ali em silêncio, aproveitando o momento.

Índia: Obrigada por hoje, de verdade.

Guto: É nós, pô. - Ela sorriu e se levantou jogando as coisas no lixo e vindo na minha direção.

Índia: Eu gosto de ficar assim, então problema seu se tu não gosta, tô cansada. - Disse rindo enquanto deitou no meu colo, coloquei a mão na cintura dela a segurando e só sorri como resposta - Sabe, desde a praia eu sinto que eu posso confiar em tu.

Guto: Por que?

Índia: Tu faz eu me sentir diferente. Com todo mundo eu sou a Índia, a filha da puta. Só não sou assim com minha família e o tio Magnata. Com você, eu sou a Luíza. Tu me fez sentir a menina mais forte e foda do mundo quando você disse aquelas coisas pra mim na praia quando estávamos conversando, fez eu ter orgulho de mim, de tudo que eu sou e tudo que já fiz. Só que ao mesmo tempo eu me sinto vulnerável, você me faz sentir isso também. Eu quase chorei com você hoje. Tu tem noção que a Mirella é minha amiga desde menor e eu nunca chorei com ela desde que meus avôs morreram? Com minha família poucas vezes e a maioria delas descia uma lágrima e eu saía pra ninguém ver. Eu não sei explicar isso, só sei que tu me faz sentir esses bagulho e me faz confiar em você mesmo sendo difícil pra mim. - Ela respirou fundo olhando pra vista assim como ficou desde que começou a falar - Se um dia você usar isso contra mim, eu juro que enfio uma ak no teu cu.

Guto: Terceira ameaça desde que te conheci e olha que não tem um mês. - Ela começou a rir e se ajeitou no meu colo fechando os olhos. Porra, linda pra caralho. - Eu também sinto isso com tu, por isso te contei tanta parada na praia. Nem tô ligado porquê disso, mas sinto que tu é de fé pô. Sinto que tu é pura comigo, e eu não vou fazer sacanagem com tu. Hoje quando tu tava mal, quis te deixar bem, teu sorriso deixa eu feliz também, mó papo de viado né - Comecei a rir balançando a cabeça quando ela sorriu - Mas tu já me protegeu demais, assim como eu te protegi e tu nem tá ligada.

Índia: Como assim?

Guto: O dia da invasão na Rocinha, eles falaram que tava com você. Te ameaçaram legal porque disse que tava me palmeando na praia e viu nós dois lá. Eles não sabiam quem você é, que é do Vidigal, mas sabia que tu tava comigo e queriam ir atrás. Já fiquei louco pô, você tava na invasão também, achei que eles tinham te pegado. Já logo ajoelhei igual mandaram e comecei a apanhar legal, e eu morria por você lá, você me salvou tantas vezes, queria fazer isso por tu. Mas no final, você que me ajudou de novo, tu é diferenciada Luiza.

Índia: Conte-me mais. - Disse rindo.

Guto: Mandada mermo em. Sei lá porra, tu é diferente das mina daqui, não só por tá envolvida mas seu jeito. Tu é forte pra caralho, ninguém sabe como é que você tá se sentindo, mó moleque neutra. - Comecei a rir junto com ela que me deu um tapinha - Na moral pô, tu é foda mermo, papo reto. Geral sabe disso, e eu acho isso pica porquê mesmo tendo passado altas coisas, na frente de geral tu não demonstra e isso é sinal de como tu é forte. Mas também não quer dizer que ser a Luíza e chorar com alguém de confiança seja fraqueza. Tu só tem que selecionar, tem muito lobo disfarçado em pele de cordeiro, só tá esperando a primeira pra te fazer mal.

Índia: Eu confio em você. Tenho medo de me arrepender, mas confio.

Guto: Tu não vai arrepender, colega. Tô aqui purão pra tu. E vamos fazer um combinado, toda vez que tu precisar esquecer a Índia e ser a Luíza, tu me chama que eu vou na hora te buscar e te levar pro nosso lugar. Mais ou menos né, na praia tu tá ligada que é difícil, mas se não der pra ir lá, nós vem pra cá pô. Nossos dois lugares pra ser a Luíza e o Gustavo, demorô? Só nós. - Ela assentiu sorrindo igual uma criança ganhando doce, beijei a testa da mesma que me abraçou forte e ficou assim por horas, só curtindo o outro.

O Nosso Para SempreOnde histórias criam vida. Descubra agora