Capítulo 74

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Índia 🦋

Hoje era segunda-feira, ia ter um racha clandestino numa cidade próxima e eu avisei meu pai que iria mesmo que ele tivesse ficado com raiva.

Já faz um tempo que eu não me envolvo em missão nenhuma, tava precisando desestressar, papo reto.

Eu já estava arrumada pra caralho, toda linda mesmo. Vesti uma calça preta bem colada, um boddy vermelho cintilante e um salto alto. Joguei meu cabelo de lado e fiz um maquiagem bem trabalhada, sempre que eu vou disputar é a mesma história.

Peguei o melhor carro que eu já havia separado hoje cedo, coloquei o malote de dinheiro atrás e guiei até onde seria após despedir dos meus pais e do Thiago.

Guto estava em reunião com o tio Felipe sobre o morro que eles conquistaram então nem falei nada.

Liguei a música pra ir me fazendo companhia e assim que cheguei, desci do carro fazendo geral me olhar.

Daniel: Achei que a rainha não viria dessa vez.

Índia: E desde quando eu perco?

Daniel: Literalmente.

Sorri o abraçando rapidamente, ele que era o organizador dessa parada. Quando eu tinha 15 anos, vim com o Thiago, ele machucou na semifinal e eu venci pra ele. Desde então comecei a vim, já tenho cinco títulos seguidos contando com o de Thiago.

Pessoal zoava me chamando de rainha e eu já nem gosto né?

Deixei o malote onde fica todo o dinheiro apostado, tinha várias pessoas aqui já assistindo e outras preparando pra apostar, entrei logo no carro e fiquei na espera.

Vi um carro preto que nunca havia visto aqui mas que me parecia familiar assim que parei na pista onde seria, talvez seja só coincidência mas que parece, parece.

Quando foi dado a largada acelerei pra caralho, passei a mil nas curvas e deixei geral catando poeira. Um carro colou ao meu lado mas eu já logo joguei ele pra longe, saiu voando mermo.

Quando estava acabando a volta, o carro que eu nunca havia visto por aqui chegou junto a mim. Depois de segundos chegou o terceiro já formando quem estaria na semifinal e o restante nem chegou, o tanto de acidente que tem nessas pistas é fora do comum mas a adrenalina é o mais foda que tem.

Daniel avaliou se estava tudo certo nos três carros vendo se alguém estava machucado, desde o ano passado foi feito a regra de não sair do carro no período de pausa entre as corridas, estava tendo muita sabotagem e duas pessoas acabaram morrendo por isso. Quem pensar em sair do carro, automaticamente já é desclassificado.

Em minutos foi dado a largada novamente, fui mais na manha sem acelerar muito e quando eles assustaram, acelerei passando os dois, eu sentia o vento no meu rosto e sorria enquanto dirigia, a adrenalina pulsava tanto quanto meu sangue.

O carro preto colou ao meu lado tentando me jogar pra longe, quase perdi o controle do carro, foi por segundos que realmente não me fudi mas consegui me livrar passando pela linha de chegada.

Por fim, ficou eu e esse mesmo carro. Eu estava nervosa pela primeira vez, nem quando tinha somente 15 anos achei alguém que disputasse comigo tanto quanto agora.

Daniel avaliou os carros e fez sinal que já iria começar. Acelerei pra caralho, estava até difícil de ter o controle do carro, começamos a tentar jogar um ao outro pra fora da pista e fomos seguindo assim até quase o fim da volta, eu tentava me desvencilhar vendo o quanto estava difícil mas nada de conseguir, o que era adrenalina virou medo, eu sabia que ia ser um puta de um acidente feio se ele conseguisse me jogar pra fora da pista.

No fim, quando eu estava quase ganhando, ele me passou assim ganhando a corrida pela primeira vez.

Freiei com força tentando parar o carro e acabei batendo sentindo um impacto em meu peito.

Respirei fundo tentando me acalmar, muita gente vinha correndo em minha direção, olhei no retrovisor e vi uma parte do meu rosto sangrando pela batida mas não foi nada sério o que me alivia.

Desci do carro olhando o sangue em meu rosto, e quando vi, era Foguete saindo do carro, filho da puta.

Foguete: Índia? Que porra é essa?

Índia: Que caralho você tá fazendo aqui?

Foguete: Pegando teu dinheiro pelo visto.

Índia: Filho da puta. - Dei um soco no braço do mesmo que estava rindo, ele percebeu o machucado e sua expressão mudou no mesmo instante.

Foguete: Caralho Luiza. - Disse baixo limpando o sangue, ele me puxou pra um abraço - Desculpa pô, na moral, não sabia que era tu.

Índia: Uma hora eu achei que ia acabar me fudendo.

Foguete: Nem brinca com isso, não ia me perdoar nunca, tá maluca?

Beijei sua bochecha o abraçando e fomos em direção onde geral estava, todo mundo cumprimentava a gente dando parabéns.

Eu entreguei o troféu pra ele e meu coração doeu um pouco, primeira vez que perco pô.

Ficamos naquela até escutar sirene de polícia, já entrei logo no carro e sai a mil com Foguete ao meu lado em direção ao Vidigal, tinha bota pra caralho atrás da gente mas conseguimos despistar entrando rápido na favela.

Paramos lá no topo do morro deixando os carros e sentei no chão sendo acompanhada pelo mesmo.

Índia: Só aceito perder pra tu.

Foguete: 5 títulos seguidos também né, uma hora tu tinha que perder.

Índia: Se não fosse tu, não ia ser mais ninguém. Tu só me parou porque é o piloto de fuga daqui do Vidigal, já é treinado pô.

Foguete: Não sabia que tu curtia essas paradas não.

Expliquei ele a história do Thiago e que desde então não parei mais, ele me olhou surpreso assim que acabei de contar me fazendo rir.

Foguete: Então no Vidigal tu é a Índia, no racha tu é Rainha e pros mais próximos é a Luiza? - Sorri assentindo pro mesmo que me abraçou de lado - Tu é foda pô, eu escutei eles falando de tu lá, ate brinquei que ia ganhar mas não sabia quem era não.

Índia: Pode falar que a mãe tá linda, só vou assim pra disputa pô. - Me levantei dando uma voltinha fazendo o mesmo sorrir.

Foguete: Quando tu não tá linda?

Índia: Murilo, tu nunca me viu acordando.

Ele começou a rir balançando a cabeça ainda me olhando.

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