Quarta-feira
Acordei com a sensação de ter dormido apenas alguns minutos.
O quarto ainda estava escuro quando abri os olhos, e por alguns segundos permaneci imóvel, encarando o teto, tentando convencer meu corpo a obedecer. A exaustão pesava atrás dos olhos, nos ombros, nos ossos. A noite anterior tinha se arrastado entre e-mails, relatórios, mensagens de Lily e a lista interminável de decisões que precisavam de mim antes do voo para Tóquio.
Eu dizia a mim mesmo que trabalhar até tarde aliviava o dia seguinte.
Era mentira.
O trabalho nunca diminuía. Apenas mudava de forma.
A verdade era mais simples e menos elegante: eu tinha dificuldade para dormir. Sempre tive, mas havia piorado depois da morte de Katy. Agora, com minha mãe enterrada havia poucos dias, o silêncio da madrugada tinha voltado a se tornar insuportável.
Então eu ocupava a mente.
E-mails eram melhores do que lembranças. Planilhas eram melhores do que culpa. Contratos eram melhores do que encarar o fato de que eu estava prestes a deixar minha filha com uma mulher que conhecia havia menos de vinte e quatro horas.
Passei as mãos pelo rosto e me sentei na cama.
Tóquio esperava.
Emma também.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não tinha certeza de qual das duas responsabilidades deveria pesar mais.
Levantei-me antes que o pensamento se aprofundasse. Fui para o banheiro, liguei o chuveiro e deixei a água quente cair sobre a nuca, tentando soltar a tensão acumulada nos músculos. Costumava funcionar. Na maior parte das manhãs, alguns minutos debaixo da água eram suficientes para organizar o cérebro, alinhar prioridades e vestir a armadura certa para o dia.
Naquela manhã, nada parecia encaixar.
Eu precisava conversar com Abril sobre a rotina de Emma. Precisava explicar os horários, as atividades, as restrições alimentares, a escola, o motorista, os contatos de emergência. Precisava avisar sobre a consulta que eu havia marcado. Precisava, no mínimo, agir como um pai que sabia exatamente o que estava fazendo.
Mas eu havia voltado do escritório depois da meia-noite.
Mais uma vez, o trabalho venceu.
Saí do banho com os músculos tão rígidos quanto antes e fui conferir a mala. Olga, minha governanta, havia organizado tudo com a eficiência discreta de sempre. Mesmo assim, abri cada compartimento, revisei os ternos, as camisas, os documentos, os carregadores, os contratos impressos, os presentes corporativos que seriam entregues no Japão.
Controle. Sempre controle.
Quando fechei a mala, o celular vibrou sobre a cômoda.
Uma sequência de notificações começou a aparecer na tela. Algumas do escritório. Algumas de Lily. Uma da companhia aérea.
E uma mensagem de Emma.
Parei.
Minha filha raramente me mandava mensagens quando eu estava em casa. Ela preferia esse tipo de comunicação quando eu viajava, como se a distância facilitasse falar comigo. O texto na tela me fez franzir a testa.
Tem uma mulher aqui.
Desbloqueei o celular.
Emma: Pai
Emma: quem é a Abby?
Emma: ela está na nossa casa
Emma: perguntou se eu queria lanche
Emma: você esqueceu de me contar?
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
