Sábado
Acordei antes de abrir os olhos.
Por alguns segundos, fiquei imóvel, sentindo o peso quente do corpo de Abby junto ao meu e o ritmo lento da respiração dela. Eu ainda estava no quarto dela. Ainda deitado ao lado dela, por cima do lençol, com um braço em volta da cintura dela, cuidadoso para não pressionar a pele queimada.
Eu podia ter voltado para a minha cama durante a noite.
Devia ter voltado.
Mas ela tinha pedido para eu ficar até adormecer, e em algum momento aquela promessa pequena se tornou outra coisa. Fiquei porque quis. Porque havia uma paz estranha em permanecer ali, num quarto que não era meu, ao lado de uma mulher que fazia minha vida parecer menos organizada e, de alguma forma, mais inteira.
Abby dormia profundamente, o rosto virado para o travesseiro, o cabelo espalhado em cachos soltos. A pele dela ainda estava quente sob a minha mão, mas a respiração parecia melhor. Mais leve.
Inclinei-me e beijei de leve a parte segura do ombro dela, perto o bastante para sentir o cheiro suave de creme, sol e pele.
— Bom dia — murmurei, mesmo sabendo que ela não ouviria. — Vou fazer café.
Ela continuou dormindo.
Saí da cama devagar e ajeitei o lençol sobre ela antes de deixar o quarto. A villa estava silenciosa, iluminada por aquela claridade branca da manhã havaiana. Caminhei até a cozinha, liguei a máquina de café e esperei o som familiar preencher o espaço.
Por hábito, fui ver Emma.
Esperava encontrá-la adormecida, talvez atravessada na cama, talvez com o caderno do relatório aberto ao lado do travesseiro. Ela tinha falado tanto sobre animais, conchas e pássaros que eu tinha certeza de que sonharia com aquilo.
Mas a cama estava vazia.
Fiquei parado na porta.
As cobertas tinham sido afastadas. O pijama estava no chão. A mala dela estava aberta, algumas peças reviradas, e os sapatos que ela usava para caminhar tinham desaparecido.
No primeiro segundo, pensei que ela estivesse no banheiro.
No segundo, chamei:
— Emma?
Nada.
Entrei no quarto e verifiquei o banheiro.
Vazio.
A sensação que me atingiu depois ainda não era pânico completo. Era uma recusa fria, imediata, como se meu cérebro tentasse impedir o corpo de compreender depressa demais.
Ela estava na cozinha. Na varanda. No meu quarto. Na sala. Em algum canto com um livro. Emma fazia isso às vezes, afundava-se dentro de uma coisa e esquecia o mundo.
— Emma? — chamei de novo, mais alto.
A villa respondeu com silêncio.
Fui ao meu quarto. A porta estava entreaberta. Havia marcas pequenas sobre a colcha, como se ela tivesse subido na cama por algum motivo, talvez à minha procura. O quarto também estava vazio.
A recusa começou a falhar.
Percorri a sala, a cozinha, a varanda, o pequeno jardim junto à entrada. Abri portas que já sabia estarem vazias. Voltei ao quarto dela, como se a realidade pudesse mudar se eu olhasse outra vez.
Nada.
O medo chegou inteiro.
— Emma!
Minha voz saiu mais alta, já sem tentativa de calma.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
