Quarta-feira
Assinei a última página, fechei a pasta e fiquei alguns segundos com a mão sobre a capa de couro, como se ainda houvesse algo a resolver ali dentro.
Não havia.
Os documentos estavam prontos. Os relatórios foram enviados. As autorizações foram revisadas. A viagem a Tóquio foi finalmente encerrada no papel. Pela primeira vez em muito tempo, percebi que a empresa não precisava de mim da forma desesperada como eu sempre quis acreditar.
Lily dizia isso havia meses. Os gerentes sabiam o que faziam, as equipes estavam treinadas, os processos funcionavam. A empresa já tinha peso próprio suficiente para se manter de pé sem eu segurar cada parte com as duas mãos.
A constatação deveria ter me deixado satisfeito. Em vez disso, trouxe uma espécie de desconforto silencioso.
Durante anos, o trabalho tinha sido a minha explicação para tudo. A razão das ausências, das noites sem dormir, dos jantares perdidos, das conversas adiadas. Era mais fácil acreditar que a empresa exigia tudo de mim do que admitir que eu também me escondia nela. Agora, com a viagem ao Havaí marcada, Emma animada e Abby incluída nos planos de uma forma que parecia ao mesmo tempo natural e perigosa, havia uma pergunta que eu já não conseguia evitar: se o trabalho podia esperar, o que exatamente eu vinha escolhendo quando ia embora?
A batida na porta veio antes que eu encontrasse uma resposta.
— Entra.
Lily apareceu na abertura, impecável como sempre, mas com uma expressão que imediatamente me fez endireitar na cadeira. Ela usava aquele rosto quando tinha algo difícil a dizer e odiava precisar dizê-lo.
— Você tem um minuto?
— Para você, tenho.
Ela entrou e fechou a porta atrás de si. Isso bastou para eu pousar a caneta de vez.
— Aconteceu alguma coisa?
— Nada ruim — disse, sentando-se diante da minha mesa.
— Essa frase raramente me tranquiliza.
Lily soltou uma risada curta, mas os dedos dela mexeram no fecho da pulseira, um gesto nervoso que eu quase nunca via.
— Você vai para o Havaí amanhã, certo?
— Sim. Com Emma e Abby.
Ela ergueu as sobrancelhas, mas dessa vez poupou o comentário.
— Então eu queria falar com você antes.
Esperei.
Lily respirou fundo.
— Eu vou voltar para Tóquio enquanto você estiver fora.
A primeira resposta veio automática, porque era assim que meu cérebro funcionava.
— Por trabalho?
— Não. Pessoal.
A palavra ficou entre nós por tempo suficiente para eu lembrar a noite em Tóquio, o modo como ela tinha escapado de mim com as bochechas coradas e uma desculpa vaga demais para ser acreditada.
— É ele? — perguntei.
O rosto dela mudou. Não muito. Só o suficiente.
— É.
— Quem é?
Lily olhou para as próprias mãos por um segundo, como se o nome tivesse peso.
— Elias Hartmann.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
