Quinta-feira
Os últimos dias tinham sido estranhos.
Estranhos era uma palavra pequena demais, mas era a única que eu conseguia usar sem me obrigar a pensar em tudo com mais profundidade.
Desde a discussão com Leon, alguma coisa havia mudado na cobertura. Não de maneira óbvia. Ele não me tratava com grosseria, Emma não voltara a se fechar completamente, e a rotina continuava seguindo seus horários, suas refeições, suas consultas e seus deslocamentos. Ainda assim, havia uma tensão nova no ar, um peso silencioso que parecia ocupar os espaços entre mim e ele sempre que ficávamos no mesmo cômodo.
Era sufocante.
Passei a noite me mexendo sob os lençóis, cansada demais para permanecer acordada e inquieta demais para dormir. A cama não tinha culpa. Era macia, enorme, confortável de um jeito quase absurdo. O problema era todo o resto.
Leon havia ido à consulta com Emma.
Eu deveria ter ficado feliz. Em parte, fiquei. Ele apareceu. Sentou-se na sala de espera com uma expressão desconfortável e séria, perguntou a Emma se ela queria que ele entrasse e aceitou quando ela disse que preferia começar comigo. Depois, no fim, quando Ana os chamou juntos por alguns minutos, ele entrou.
E saiu diferente.
Nada dramático. Nada resolvido. Mas diferente.
Desde então, Leon parecia tentar. Pequenas coisas. Perguntas desajeitadas. Um "boa noite" dito antes de Emma desaparecer no quarto. Uma tentativa rígida de perguntar sobre a escola. Uma pausa maior ao ouvir a resposta. Emma ainda respondia com cuidado, mas já não parecia falar com uma parede.
Era exatamente o que eu queria.
Então, por que aquilo me deixava tão insegura?
Talvez porque, quanto mais os dois se aproximavam, menos necessário parecia o meu lugar ali. Quando comíamos juntos, eu me sentia como alguém sentada à mesa por engano. Quando Emma e Leon trocavam comentários pequenos — quase frases, quase conversas —, havia uma parte de mim que se alegrava por ela. Outra parte, mais egoísta e envergonhada, sentia medo.
Medo de que minha função tivesse sido apenas abrir uma porta.
Medo de que, agora que a porta começava a se mover, Leon percebesse que já não precisava de mim.
Olhei para a janela do quarto. Daquele ângulo, eu via apenas um recorte de Nova York, mas bastava. A cidade brilhava ao longe, indiferente, bonita, impossível. Eu ainda não estava pronta para perdê-la. Não queria voltar para a Virgínia, para uma casa à venda, para lembranças encaixotadas e vagas de emprego respondidas com silêncio.
Nova York ainda era meu sonho.
Mas, em algum momento dos últimos dias, aquele emprego tinha deixado de ser apenas minha chance de ficar na cidade. Emma tinha se tornado importante. A casa tinha se tornado importante. Até Leon, com toda a dificuldade que vinha junto dele, tinha se tornado uma presença impossível de ignorar.
E isso era perigoso.
Muito perigoso.
Levantei antes que a ansiedade me convencesse a ficar na cama. Escovei os dentes, lavei o rosto e vesti uma camiseta grande sobre o short de dormir antes de seguir para a cozinha. Eu ainda tomaria banho depois, mas preparar o café da manhã havia se tornado uma espécie de ritual. Não estava no contrato. Ninguém me obrigava. Mesmo assim, todas as manhãs eu fazia alguma coisa.
Omeletes. Torradas. Frutas. Café.
Naquela manhã, precisei de algo doce.
Panquecas.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
