Segunda-feira
— Está pronta para ir? — perguntei a Emma, tentando oferecer um sorriso que ela pudesse aceitar, mesmo que fosse apenas por educação.
Ela ajustou a mochila no ombro e olhou, por um breve instante, para a porta fechada do quarto do pai.
Aquilo me partiu um pouco.
Leon estava em casa desde o dia anterior. Ainda assim, a presença dele parecia mais uma sombra do que uma companhia. Emma sabia que ele estava ali. Sabia que ele tinha voltado. E, mesmo assim, saía para a escola como se esperasse algo que talvez já soubesse que não viria.
Um beijo na testa. Um "bom dia". Uma pergunta simples. Qualquer coisa.
— Estou pronta — ela murmurou. — Vamos.
Descemos em silêncio.
Eu havia conseguido, com a ajuda de Madison, arrancar algumas risadas de Emma no fim de semana. Pequenas, raras, quase tímidas. Mas reais. Desde que Leon voltara, ela havia se fechado outra vez, como se a alegria fosse uma coisa que precisasse esconder dele.
Eu tentava não culpar Leon por tudo. Tentava mesmo. Mas era difícil olhar para aquela menina e não sentir vontade de sacudi-lo pelos ombros até que ele entendesse o que estava perdendo.
No saguão, Vincenzo abriu o sorriso caloroso de sempre.
— Bom dia, senhoritas. As duas continuam sendo o ponto mais bonito da minha manhã.
Eu sorri primeiro, porque Emma parecia decidida a guardar todas as palavras.
— Bom dia, Vincenzo. Como você está?
— Maravilhosamente bem. E você, senhorita Emma?
Emma deu de ombros.
— Indo para a escola.
— Uma aventura diária.
— É só escola.
— Algumas aventuras são disfarçadas de obrigação.
Ela olhou para ele como se aquela frase fosse absurda demais para merecer resposta, mas vi o canto da boca dela se mexer. Pouco. Mas eu já havia aprendido que, com Emma, pouco podia ser muito.
O carro parou diante da entrada, e o momento se perdeu. Acompanhei Emma até o veículo e me despedi, recebendo em troca apenas um aceno mínimo dos dedos antes que ela entrasse.
Quando o carro se afastou, fiquei olhando por alguns segundos.
Eu ainda achava que havia algo acontecendo na escola. Nada evidente. Apenas uma tensão no corpo dela sempre que o assunto surgia, uma resistência rápida demais. Talvez fosse o luto. Talvez fossem colegas. Talvez fosse apenas mais uma parte da vida dela que ninguém havia tido tempo de perceber.
Subi de volta pensando nisso.
Ao sair do elevador, quase tropecei em uma pasta preta deixada perto da entrada.
Parei.
Eu reconhecia aquela pasta. Leon a carregava como se fosse uma extensão do próprio corpo. Documentos, contratos, reuniões, trabalho. Ele jamais a deixaria esquecida no chão.
Franzi a testa.
Achei que ele já tivesse ido para o escritório. Quando acordei, a casa estava quieta, e assumi que Leon havia saído cedo, como parecia ser seu costume.
— Leon? — chamei, olhando ao redor. — Você está aqui?
Nenhuma resposta.
A inquietação veio devagar.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
