Capítulo 11 - Leon

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Segunda-feira


Eu odiava ficar doente.

Odiava a fraqueza no corpo, o peso atrás dos olhos, a garganta áspera, a febre deixando tudo lento demais. Odiava ainda mais a sensação de que o mundo continuava funcionando enquanto eu era obrigado a ficar deitado, inútil, perdendo ligações, reuniões, decisões e qualquer aparência de controle.

E, naquele dia, havia Abril.

Abril com água. Abril com toalhas frias. Abril com remédios, sopa, chá e aquela insistência calma de quem parecia incapaz de entender que eu era um homem adulto e perfeitamente capaz de sobreviver a uma gripe sem supervisão.

Ou, pelo menos, era o que eu dizia a mim mesmo entre um acesso de tosse e outro.

— Aqui — ela disse, aproximando-se do sofá com mais um copo d'água. — Você precisa beber.

Eu estava sentado no sofá porque me recusei a continuar preso ao quarto. A cama tinha começado a parecer uma sentença, e a sala, embora iluminada demais para minha dor de cabeça, ainda me dava a ilusão de que eu participava minimamente da minha própria casa.

— Eu já bebi água — respondi, a voz rouca.

— Bebeu dois goles há quarenta minutos.

— Está cronometrando?

— Estou cuidando.

Ela estendeu o copo.

Fiquei olhando para a água como se ela tivesse me ofendido pessoalmente.

— Posso beber sozinho.

— Ótimo. Então beba.

O tom dela era educado. Irritantemente educado. Peguei o copo e tomei mais do que pretendia apenas para provar um ponto que ela, com certeza, ignoraria.

Abril olhou para a televisão.

— Você está assistindo a isso?

Apontei os olhos para o faroeste antigo passando na tela. Eu não fazia ideia do enredo. Havia cavalos, poeira, homens armados e tiros suficientes para piorar a minha dor de cabeça.

— Estou.

— Mesmo?

— Está ligado.

— Isso não responde à pergunta.

Lancei-lhe um olhar.

— Faça o que quiser.

Ela pegou o controle remoto e abaixou o volume antes de trocar de canal. A tela piscou em uma sequência de cores fortes, programas matinais, comerciais, notícias e desenhos, até que ela encontrou algo mais silencioso. Apertei o travesseiro contra o peito, segurando a irritação.

Era a minha casa.

A minha televisão.

O meu sofá.

E, de algum modo, aquela mulher havia conseguido me transformar em hóspede febril dentro do meu próprio apartamento.

Ouvi uma porta se abrir no corredor.

Emma apareceu, mochila jogada no ombro, uniforme um pouco amarrotado depois da escola. Parou ao nos ver. Primeiro olhou para Abril. Depois para mim.

O olhar que me lançou não era exatamente raiva.

Era desconfiança.

O que, vindo da minha filha ultimamente, quase parecia rotina.

— Oi, Abby — disse ela.

Amando a BabáHistórias para pegar e não largar. Descubra agora