Domingo
— Muito obrigada por vir, Madison — falei, acompanhando-a até o elevador. — De verdade. Emma adora você.
Madison olhou por cima do ombro, na direção da sala, onde Emma dormia atravessada no sofá com uma almofada presa contra o peito e a coroa de papel torta na cabeça.
— Ela é uma ótima menina — respondeu, com aquela suavidade rara que sempre aparecia quando falava de Emma. — Gosto de passar tempo com ela.
— Você a deixou exausta. Isso merece gratidão eterna.
— Ela me deixou exausta também — Madison disse, bocejando. — Vou dormir como uma pedra.
A festa do chá tinha sido melhor do que imaginei. Emma passara a tarde inteira inventando regras, corrigindo Madison quando ela segurava a xícara "do jeito errado" e rindo de coisas pequenas como se, por algumas horas, a tristeza não tivesse lugar naquela sala.
Leon também apareceu, ainda que por pouco tempo. Aceitou uma coroa de papel, sentou-se no tapete e tomou chá de mentira em uma xícara minúscula com uma seriedade que quase me fez rir. Emma iluminou-se de um jeito tão bonito que meu coração apertou.
E foi isso que tornou tudo mais perigoso: quanto mais Leon tentava, mais difícil ficava lembrar que meu lugar naquela casa tinha limites.
Abracei Madison antes que ela entrasse no elevador. Ela me apertou com firmeza.
— Cuide-se, Abril — disse perto do meu ouvido.
A frase pareceu carregar mais do que deveria.
Quando as portas se fecharam, voltei para a sala e encontrei Emma ainda dormindo. Retirei a coroa de papel da cabeça dela e, por um instante, fiquei apenas olhando. Dormindo, Emma parecia menor. Menos defensiva. Menos obrigada a provar ao mundo que nada a atingia.
— Vamos para a cama, querida — sussurrei.
Carregá-la já não era tão fácil quanto eu queria fingir. Ainda assim, consegui levá-la até o quarto, deitá-la sobre os lençóis e tirar seus sapatos sem acordá-la por completo. Ela se mexeu, murmurando meu nome.
— Estou aqui — respondi.
— Papai tomou chá.
Sorri no escuro.
— Tomou.
— Ficou engraçado.
— Ficou mesmo.
Emma suspirou, satisfeita, e virou o rosto para o travesseiro.
— Boa noite.
— Boa noite, meu amor.
Fiquei ao lado da cama por mais alguns segundos, ajeitando a coberta sobre seus ombros. Depois voltei para a cozinha, onde a bagunça da tarde ainda esperava por mim.
Recolhi xícaras, pratinhos, guardanapos e a travessa dos bolinhos caseiros. Lavei tudo devagar, tentando prolongar a tarefa para adiar o momento em que ficaria sozinha com meus pensamentos. Foi então que percebi o prato quase intocado de Leon sobre a bancada.
Preparei um sanduíche simples e uma caneca de café.
Disse a mim mesma que era só comida. Só cuidado. Só meu trabalho.
Mas eu sabia que era mentira antes mesmo de sair da cozinha.
Caminhei até o escritório dele com a bandeja nas mãos e o coração inquieto. A cada passo, repetia que nós dois sabíamos fingir. Havíamos fingido desde o beijo na cozinha, durante cafés da manhã, jantares e conversas que pareciam normais demais para tudo que escondiam.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
