Segunda-feira
Depois de buscar Emma na escola e ouvi-la falar sem parar durante o caminho para casa, eu tinha me instalado na sala com uma xícara de café que mal toquei.
— Então, o que você acha que isso quer dizer? — Abby perguntou, inclinada sobre o caderno de Emma. — Qual foi o erro do Alfie?
Eu estava do outro lado da sala, tentando fingir que não observava as duas há tempo demais.
Abby tinha o cabelo solto sobre um ombro, ainda um pouco úmido do banho, e usava uma blusa simples que não deveria ter chamado minha atenção de forma alguma. Ainda assim, chamava. Tudo nela chamava. O jeito como apoiava o cotovelo na mesa. A paciência na voz. A maneira como se inclinava para Emma sem invadir o espaço dela. O sorriso pequeno quando minha filha pensava antes de responder.
Depois daquela manhã, eu deveria ter mantido distância. Na prática, estava ali, olhando para ela como um homem sem juízo.
— Ele rasgou o convite — Emma respondeu, franzindo a testa para o livro. — Isso foi errado.
— Por quê?
— Porque o amigo dele ficou triste.
— E o que ele podia ter feito?
Emma pensou por um segundo, balançando o lápis entre os dedos.
— Dizer que não queria ir. Mas sem rasgar. Rasgar foi dramático.
Abby riu baixo.
— Concordo. Muito dramático.
— Eu iria à festa — Emma acrescentou. — Mas eu gosto de festas.
— Eu também.
— Você gosta de qualquer coisa que tenha bolo.
— Isso é um ataque ou um elogio?
Emma sorriu para o caderno.
— Os dois.
Abby apontou para a linha em branco.
— Então, escreva isso com suas palavras.
Enquanto Emma se concentrava, Abby ergueu os olhos e encontrou os meus.
Foi apenas um segundo.
Um sorriso breve, quase cúmplice, atravessou o rosto dela antes que voltasse para o caderno.
A manhã não tinha desaparecido. Eu ainda sentia o corpo dela contra o meu, ainda ouvia sua voz no quarto, ainda lembrava a forma como ela ficou comigo por alguns minutos depois, como se o mundo pudesse esperar do lado de fora. Mas havia algo diferente agora. Menos raiva. Menos fuga. Uma espécie de segredo quieto entre nós, perigoso justamente porque parecia bom.
— Obrigado — murmurei quando ela passou por mim para pegar café.
Abby me olhou de lado.
— Pelo quê?
Olhei para Emma, que escrevia devagar, a língua presa entre os dentes.
— Por isso.
A expressão dela suavizou.
— Ela está fazendo o trabalho. Eu só estou sentada aqui.
— Você sabe que é mais do que isso.
Abby desviou o olhar primeiro, e talvez fosse melhor assim.
Emma terminou a frase com um ponto tão firme que quase furou o papel.
— Pronto.
— Quer ler? — Abby perguntou.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
