Sexta-feira
— Graças a Deus é sexta-feira! — Emma anunciou assim que entrou no apartamento, atirando a mochila no sofá como se tivesse acabado de sobreviver a uma guerra. — Fim de semana!
Ela estava radiante.
Durante toda a semana, aquela energia nova vinha aparecendo aos poucos. Não o tempo inteiro, não de forma perfeita, mas o suficiente para eu notar. Emma chegava da escola menos fechada, contava pequenos pedaços do dia, reclamava de coisas normais, ria de piadas bobas e já não parecia carregar o mundo inteiro nos ombros antes mesmo de tirar os sapatos.
Eu amava vê-la assim.
— Sabe — falei, recolhendo a mochila antes que ela escorregasse para o chão —, sua semana inteira pareceu um fim de semana. Tivemos filmes quase todas as noites, jantares no sofá e uma quantidade pouco responsável de cobertores na sala.
Emma se jogou entre as almofadas e puxou a tigela de chocolates para perto.
— Mas hoje é diferente.
— Por quê?
Ela me olhou como se a resposta fosse óbvia.
— Porque amanhã não tem escola.
Ela escolheu um chocolate, abriu com cuidado e colocou inteiro na boca. Desde que Leon viajara, a sala tinha se transformado em uma espécie de acampamento permanente. Cobertores dobrados sobre o encosto do sofá, almofadas no chão, uma pilha de DVDs na mesa baixa, copos esquecidos, meias de Emma em lugares improváveis. A cobertura ainda era elegante demais para nós, mas havia vida nela agora. Bagunça pequena. Cheiro de pipoca. Risadas à noite.
Sem Leon, também havia menos tensão.
Eu odiava admitir.
A ausência dele abriu espaço para eu respirar. Sem o peso do olhar dele, sem a lembrança da cama dele a poucos corredores de distância, sem aquela eletricidade desconfortável correndo por baixo de cada frase. Eu ainda pensava nele mais do que queria, mas pensar nele à distância era diferente de tentar lavar um prato com o corpo inteiro consciente de que ele estava atrás de mim.
— Madison vem jantar hoje — falei, sentando-me na ponta do sofá. — E ver filmes com a gente.
Emma arregalou os olhos.
— Ela sabe que é noite de Disney?
— Eu avisei.
— E ela aceitou mesmo assim?
— Aceitou.
Emma pareceu impressionada.
— Ela é corajosa.
— Muito.
— Ela vai dormir aqui também?
— Não, meu amor. Ela mora alguns andares abaixo. Acho que consegue voltar para casa sem precisar de saco de dormir.
Emma olhou para o sofá, avaliando o espaço com seriedade.
— Ainda bem. Acho que aqui só cabemos nós duas.
A simplicidade daquela frase me aqueceu por dentro.
Nós duas.
Como se aquele pequeno mundo improvisado na sala fosse nosso.
— Então está decidido — falei. — Jantar, Disney e sofá.
Emma sorriu, mas logo depois o sorriso perdeu um pouco da força. Ela mexeu no papel do chocolate entre os dedos, sem olhar para mim.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
