Domingo
A trilha até a cachoeira era mais bonita do que eu conseguia admitir em voz alta.
O caminho passava por árvores altas, sombras frescas e flores que pareciam ter sido pintadas à mão. A terra úmida prendia o cheiro da manhã, e o som da água crescia a cada passo, primeiro distante, depois mais claro, como se a ilha estivesse nos conduzindo para algum lugar onde as coisas pudessem finalmente respirar.
Mesmo assim, eu caminhava com o peito apertado.
Emma seguia alguns passos à frente com Leon, segurando o caderno contra o corpo. Durante a maior parte do caminho, tinha respondido às minhas tentativas de conversa com frases curtas. Nada cruel. Nada rude. Apenas uma distância cuidadosa, demasiado pequena para ser chamada de castigo, demasiado grande para eu ignorar.
Eu merecia.
Na noite anterior, ela tinha me visto com uma mala aberta. Tinha ouvido uma promessa pequena demais para o que o coração dela queria. Eu tinha ficado, sim, mas apenas até aquele dia. Para uma menina que já perdera tanto, "até amanhã" soava parecido demais com despedida.
— Que cor de borboleta você mais quer ver? — perguntei, tentando de novo.
Emma não olhou para trás.
— Vermelha.
— Como as das fotos?
— É.
Assenti, mesmo ela sem me ver.
— Também quero ver uma dessas.
Ela continuou andando.
Olhei para Leon.
Ele percebeu. Não disse nada, mas o olhar dele encontrou o meu por um instante, como se me dissesse para não forçar. Aquilo ajudou e doeu ao mesmo tempo. Ajudou porque ele estava certo. Doeu porque eu sentia falta da certeza de Emma, da maneira como ela costumava me procurar sem pensar, do braço dela no meu, da confiança simples que eu tinha quase destruído em uma noite.
Quando a cachoeira apareceu entre as árvores, Emma parou de repente.
— Uau.
A palavra saiu tão cheia de espanto que algo dentro de mim se soltou.
A queda d'água descia por uma parede escura de pedra, formando uma piscina clara cercada por folhas largas, flores amarelas e pequenas borboletas que flutuavam perto da margem. O sol entrava por partes, quebrado pelos galhos, deixando manchas douradas sobre a água.
— É linda — falei.
Dessa vez, Emma olhou para mim.
— Preciso de fotos.
— Então sorte a sua que eu trouxe a câmera.
Ela hesitou, como se quisesse continuar chateada, mas a importância do relatório venceu. Abriu o caderno, sentou-se em uma pedra plana e começou a apontar tudo o que queria registrar.
— Borboletas. A água. Aquelas flores. Se aparecer um lagarto, eu quero foto também. E uma pedra bonita.
— Pedra bonita conta como vida selvagem?
Emma me lançou um olhar sério.
— Conta como cenário.
— Claro. Erro meu.
Leon riu baixo, e Emma quase sorriu.
Passei alguns minutos tirando fotos. Borboletas azuis, amarelas, uma pequena vermelha que apareceu perto das flores e fez Emma prender a respiração. Fotografei pássaros no alto das árvores, insetos sobre folhas molhadas, a espuma branca da cachoeira e o rosto concentrado de Emma enquanto escrevia. Essa última foto não era para o relatório, mas tirei mesmo assim.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
