Segunda-feira
Na manhã do nosso último dia no Havaí, Emma decidiu que ir embora sem ver a ilha de cima seria uma tragédia científica.
Eu estava cortando frutas na cozinha quando ela apareceu com o caderno preso contra o peito, o cabelo ainda úmido do banho e uma expressão séria demais para quem usava uma camiseta com uma tartaruga sorridente.
— Preciso de uma observação aérea — anunciou.
Abby, que estava encostada na bancada com uma caneca de café nas mãos, ergueu os olhos devagar.
— Bom dia para você também.
— Bom dia. Preciso de uma observação aérea.
— Para o relatório? — perguntei.
Emma assentiu, como se fosse óbvio.
— Uma pesquisadora séria precisa entender o habitat de todos os ângulos.
Abby apertou os lábios para não rir.
— Onde você aprendeu essa frase?
— Eu inventei.
— Claro que inventou.
Emma ignorou a ironia e abriu o caderno sobre a mesa. Havia desenhos de borboletas, anotações sobre caranguejos, uma tentativa de mapa da trilha até a cachoeira e uma lista de coisas que ela ainda queria incluir antes de voltarmos para Nova York. A letra era irregular, algumas palavras estavam tortas, e havia uma mancha de suco no canto da página. Era, provavelmente, o documento mais importante da ilha.
— Então — ela continuou —, acho que precisamos de um helicóptero.
Abby engasgou com o café.
— Emma.
— Você disse ontem que existia passeio de helicóptero.
— Eu disse como comentário.
Olhei para Abby.
— Você plantou isso.
— Foi um acidente.
— Um acidente com hélices.
Ela tentou parecer culpada, mas falhou quando Emma abriu um sorriso esperançoso.
— Pai, por favor. É o último dia.
A frase ficou no ar por um segundo.
O último dia no Havaí. O último dia antes de voltarmos para a cobertura, para a escola, para os elevadores silenciosos, para os compromissos, para todas as conversas que eu tinha adiado por tempo demais. Antes, eu teria pensado primeiro no horário do voo, nas malas, no custo absurdo de um passeio decidido durante o café da manhã. Agora, olhei para Emma, depois para Abby, e percebi que algumas memórias valiam mais do que a minha necessidade de controle.
— Vou ver se ainda há horário disponível — falei.
Emma gritou como se eu tivesse acabado de prometer a lua.
Abby baixou a caneca, sorrindo apesar de si mesma.
— Você sabe que ela vai colocar isso no relatório como se tivesse sido parte essencial da pesquisa.
— Pelo menos vai ter uma boa conclusão.
— "Meu pai cede sob pressão"?
— "O ecossistema observado de cima confirmou a importância da biodiversidade local."
Abby me olhou com uma sobrancelha erguida.
— Você está ajudando demais.
— Estou investido.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
