Domingo
A irritação corria por baixo da minha pele. Depois de um voo longo, atrasos sucessivos e uma verificação de segurança que pareceu pessoal demais para ser apenas procedimento, tudo em mim pedia silêncio, banho quente e uma cama. Eu estava exausto, com o corpo pesado, a cabeça nebulosa e a paciência reduzida a quase nada.
A viagem, pelo menos, havia sido produtiva. Os investidores aceitaram os termos principais, e Lily estava satisfeita, o que sempre era um excelente sinal, mesmo quando fingia que ainda havia motivos para me atormentar com detalhes. Tóquio tinha sido eficiente, intensa e lucrativa, mas, ao sair do carro diante do prédio, tudo em que eu conseguia pensar era que voar em primeira classe já não bastava.
Era hora de comprar um jato particular.
A ideia, antes excessiva até para mim, parecia perfeitamente razoável enquanto eu puxava a mala para fora do carro. Lily e eu já havíamos discutido isso mais de uma vez, mas sempre acabávamos adiando. Custo alto, logística, manutenção, imagem pública, uso real. Argumentos sensatos, todos eles. Nenhum me importava naquele momento.
Eu queria embarcar quando quisesse, dormir quando pudesse, trabalhar sem interrupção e pousar sem ter homens desconhecidos revirando meus pertences como se eu devesse explicações ao mundo. Convenceria Lily, como convencia investidores, conselhos e executivos que se consideravam imunes à persuasão. Pelo menos era o que eu dizia a mim mesmo enquanto entrava no prédio com o cansaço pesando no rosto.
Vincenzo ergueu-se atrás do balcão com o mesmo profissionalismo impecável de sempre.
— Senhor Anderson. É bom tê-lo de volta.
— Vincenzo.
A minha voz saiu mais próxima de um grunhido do que de uma saudação, mas ele pareceu acostumado.
— Espero que a viagem tenha sido boa.
— Produtiva.
— Então foi boa.
Quase sorri.
— Você está aprendendo a me traduzir.
— Depois de alguns anos, senhor, alguns padrões ficam claros.
Eu teria respondido alguma coisa espirituosa se meu cérebro estivesse funcionando com mais da metade da capacidade. Em vez disso, apenas assenti e segui para o elevador.
Quando as portas se fecharam, encostei a cabeça na parede e fechei os olhos. O corpo inteiro doía. Eu precisava dormir, mas também precisava ver Emma, conversar e tentar consertar o que havia se rompido na chamada de vídeo. Havia ensaiado algumas frases no avião, todas ruins: desculpas formais demais, explicações práticas demais, promessas que eu não tinha certeza de conseguir cumprir.
Ser pai parecia simples na teoria quando eu transformava tudo em ação: contratar babá, marcar consulta, organizar rotina, pagar escola, garantir segurança. Na prática, minha filha queria algo que nenhuma planilha sabia entregar.
As portas do elevador se abriram diretamente para a cobertura, e o primeiro som que ouvi foi uma risada infantil, clara e leve.
Emma.
Parei na entrada com a mala ao lado do corpo, quase sem reconhecer aquele som dentro da minha própria casa. Minha filha estava rindo de verdade. Não era uma resposta educada arrancada por Vincenzo no saguão, nem aquele ruído breve que ela soltava quando queria fingir que nada a afetava. Era uma risada solta, pequena e brilhante, do tipo que eu já não ouvia havia tempo demais.
Por um instante, algo dentro de mim afrouxou. No seguinte, apertou.
Porque assim que entrei na sala, a risada morreu.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
