Quarta-feira
Ele nem se despediu da filha.
Fiquei parada na cozinha por alguns segundos depois que as portas do elevador se fecharam, olhando para o espaço vazio onde Leon estivera. Ele foi embora com uma mala, um voo para Tóquio, uma agenda impecável e a tranquilidade aparente de quem acreditava que tudo ficaria bem porque havia deixado instruções suficientes.
Mas Emma estava dormindo no quarto dela. E ele nem entrou para vê-la antes de partir.
Aquilo me deixou inquieta. Na verdade, tudo ali me deixava inquieta. Há dois dias, eu ainda estava na Virgínia, acordando em uma casa cheia de lembranças e procurando vagas em Nova York como quem procura uma saída de emergência. Agora eu estava em uma cobertura milionária, responsável por uma menina de sete anos que mal olhava para mim, enquanto o pai dela atravessava o mundo a trabalho.
Eu ainda não sabia se aquilo era o começo de uma vida melhor ou o tipo de erro que alguém só entende tarde demais.
Peguei o celular e abri a programação que Leon havia me enviado. Li tudo com atenção, tentando absorver o máximo possível.
Escola. Motorista. Piano. Reforço. Natação. Horário de leitura. Jantar. Banho. Dormir. Os dias de Emma eram tão organizados que quase pareciam não pertencer a uma criança.
Então vi uma entrada nova, destacada em uma cor diferente.
Dr. Howard Miller - 16h30.
Parei.
O nome estava acompanhado de um endereço de consultório e uma observação curta: consulta inicial.
Pelo modo como aparecia na agenda, parecia recente. Talvez Leon tivesse mencionado de passagem, mas, se mencionou, a informação se perdeu no meio da pressa, do contrato e da viagem. Ainda assim, uma consulta nova, com um médico desconhecido, não era o tipo de compromisso que se jogava na rotina de uma criança sem explicação.
Pelo menos, não deveria ser.
Toquei a tela, lendo o endereço, o nome do médico e o horário.
Suspirei.
— Tudo bem — murmurei para mim mesma. — Um passo de cada vez.
Eu precisava acordar Emma, levá-la para a escola, garantir que comesse alguma coisa e descobrir como sobreviver ao primeiro dia sem que ela me odiasse ainda mais. Fácil, pensei, quase rindo da minha própria falta de opção.
Caminhei pelo corredor em silêncio e parei diante da porta do quarto dela. Bati de leve antes de abrir.
Emma dormia atravessada sobre a cama, por cima dos lençóis, com uma das mãos enfiada debaixo do travesseiro e o cabelo espalhado ao redor do rosto. Dormindo, parecia menor. Mais doce. Menos armada contra o mundo.
Aquilo apertou alguma coisa dentro de mim.
Crianças não nasciam frias.
Aprendiam.
Entrei devagar e abri uma fresta da cortina, deixando a luz da manhã entrar aos poucos.
— Emma — chamei baixinho. — Está na hora de acordar, querida.
Ela se mexeu, virou o rosto para o outro lado e puxou o travesseiro para perto.
— Não.
A palavra saiu rouca, irritada, decidida, e eu respirei fundo antes de responder.
— Eu sei que você quer dormir mais, mas tem escola hoje.
— Não quero ir.
— Entendo.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
