Capítulo 40 - Epílogo

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Abril

Seis meses depois


— Eu não acredito que já faz seis meses que estivemos aqui — falei, com o rosto praticamente colado à janela do avião. — Parece outra vida.

Do lado de fora, o Havaí surgia outra vez em tons impossíveis de azul, verde e dourado. O oceano brilhava sob o sol, as montanhas pareciam cobertas por veludo e, por um instante, senti a mesma coisa que senti na primeira vez em que cheguei ali: como se o mundo tivesse aberto uma porta só para mim.

Dessa vez, eu não estava assustada.

Leon se inclinou sobre o meu ombro e olhou pela janela comigo. O perfume dele, familiar e caro, envolveu-me antes mesmo que os braços dele o fizessem.

— Ainda bonito o bastante para uma lua de mel? — perguntou.

Sorri.

— Mais do que o bastante.

Virei o rosto e encontrei os olhos dele. Ainda havia momentos em que eu precisava me lembrar que aquele homem era meu marido. Meu. Não como posse, não como fantasia, mas como escolha. Como promessa. Como casa.

O anel no meu dedo capturou a luz da janela, espalhando pequenos reflexos pelo meu colo. Leon tinha escolhido um anel delicado, elegante, com diamantes suficientes para me fazer reclamar do exagero e simples o bastante para eu não conseguir parar de olhar.

Para quem via de fora, seis meses parecia rápido.

Para nós, não tinha sido pressa.

Tinha sido conversa atrás de conversa. Emma continuando a terapia com Ana. Leon aprendendo a falar de Katy sem desviar o olhar. Eu deixando oficialmente de ser babá antes de me tornar qualquer outra coisa naquela casa. Nós dois tentando separar amor de dependência, cuidado de obrigação, desejo de decisão.

Nada aconteceu como mágica.

Depois que voltamos do Havaí, eu passei algumas semanas procurando um chão que fosse meu. Ainda morava na cobertura, mas o quarto onde eu dormia deixou de parecer alojamento de funcionária e começou, aos poucos, a parecer escolha. Leon contratou ajuda extra para Emma sem me consultar primeiro, e nós tivemos nossa primeira briga séria por causa disso. Eu disse que não precisava que ele organizasse minha liberdade como quem comprava uma solução. Ele ouviu. Mal, no começo. Melhor depois.

Consegui trabalho em uma escola infantil em Manhattan, primeiro como assistente, depois ajudando em um programa de leitura para crianças pequenas. O salário era menor do que o que Leon achava aceitável, mas era meu. A rotina era minha. O cansaço também.

E isso importava.

Emma reclamou no início. Disse que eu não precisava trabalhar em outro lugar, porque já tinha trabalho suficiente com ela. Depois passou a me perguntar sobre as crianças da escola com uma curiosidade desconfiada, como se quisesse garantir que nenhuma delas estivesse tentando tomar seu lugar.

Ninguém tomou.

Ninguém poderia.

O pedido aconteceu três meses depois de termos voltado do Havaí.

Na nossa cobertura.

Nossa.

Eu ainda estava me acostumando com essa palavra.

Quando cheguei ao apartamento naquela noite, achei estranho Vincenzo estar sorrindo daquele jeito cúmplice no saguão. Depois vi as pétalas de rosa. Primeiro perto da recepção. Depois no elevador. Depois no corredor até a sala, onde Leon e Emma me esperavam.

Amando a BabáHistórias para pegar e não largar. Descubra agora