Sexta-feira
Minha pele estava em chamas.
Tirei a camiseta com todo o cuidado possível e ainda assim prendi a respiração quando o tecido roçou meus ombros. A dor se espalhou pelas costas, braços e peito num ardor quente, insistente, quase humilhante. Eu sabia que tinha exagerado. Sabia desde a praia, desde o mercado, desde o instante em que senti o sol atravessar a proteção fraca demais e marcar minha pele como punição.
Mas eu queria tudo.
Emma rindo no mar. Leon comprando lembranças com a paciência desajeitada de um pai que ainda aprendia a fazer aquilo sem transformar tudo em solução prática. A forma como o Havaí parecia abrir algo em nós três, puxando nossa pequena confusão para fora da sombra.
Agora eu estava pagando por isso.
Caí de bruços na cama e soltei um gemido baixo contra o travesseiro. A cabeça estava pesada, o corpo mole, e até respirar parecia exigir cuidado. O quarto estava fresco, a luz filtrada pelas cortinas se movia suavemente nas paredes, e tudo o que eu queria era dormir até minha pele se esquecer de que existia.
A porta se abriu sem aviso.
— Abby, podemos sair agora? — Emma entrou quase saltando. — Quero fazer a caminhada da vida selvagem.
Fechei os olhos por um segundo.
Por ela, eu teria ido. Mesmo ardendo, mesmo cansada, mesmo com a cabeça pesada, eu teria tentado levantar. Foi isso que mais me assustou. Emma tinha se tornado o tipo de pessoa por quem eu ignoraria meu próprio limite, e eu já conhecia bem demais o perigo de passar a vida inteira fazendo isso por amor.
— Sinto muito, querida — respondi, a voz áspera. — Acho que hoje eu não consigo.
Emma parou.
O entusiasmo dela murchou tão depressa que doeu mais do que a queimadura.
— Mas você disse que íamos procurar animais.
— Eu sei. E vamos procurar. Só preciso descansar primeiro. Amanhã fazemos uma caminhada maior, com caderno, água, tudo certinho.
— Amanhã é muito longe.
Sorri contra o travesseiro, sem força para levantar a cabeça.
— Para uma pesquisadora impaciente, imagino que sim.
Ela ficou quieta.
Quando olhei de lado, vi o rosto dela fechado. Não com raiva simples. Era aquela expressão antiga, a que ela usava quando esperava ser deixada para trás e tentava fingir que não se importava.
Meu peito apertou.
— Emma...
— Tudo bem — disse, rápido demais. — Eu posso ir sozinha.
— De jeito nenhum.
— Então não vou.
— Você pode ir com seu pai.
Ela olhou para a porta, como se aquela possibilidade nem tivesse sido considerada de verdade.
— Mas eu queria ir com você.
As palavras eram pequenas.
E enormes.
Tentei estender a mão para ela, mas o movimento puxou a pele das costas e fiz uma careta antes de conseguir disfarçar. Emma viu. O rosto dela mudou.
— Dói muito?
— Um pouco.
— Você está mentindo.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
