Capítulo 25 - Leon

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Sábado


— Graças a Deus acabou — Lily disse assim que saímos da sala de reuniões, soltando o ar como se tivesse segurado a respiração por três horas. — Pensei que eles fossem pedir mais uma rodada de revisão só para me ver enlouquecer.

Afrouxei a gravata e olhei para ela.

— Você gosta quando negociam demais.

— Gosto quando negociam bem. Hoje eles apenas disseram a mesma coisa de oito maneiras diferentes.

— Assinaram.

— Sim, assinaram. Por isso ainda estou de bom humor.

A reunião tinha corrido melhor do que eu esperava. Os últimos pontos com os investidores japoneses estavam resolvidos, os termos fechados, e Lily já tinha enviado parte da documentação para Nova York. Em qualquer outra viagem, eu teria sentido aquela descarga familiar de satisfação. Acordo fechado. Problema resolvido. Próxima meta.

Dessa vez, a vitória chegou abafada.

A única coisa que eu realmente tinha vindo evitar continuava à minha espera em casa.

Lily caminhava ao meu lado, os saltos ecoando no mármore do lobby do hotel, quando me lançou um olhar de canto.

— Tecnicamente, podemos voltar amanhã.

— Tecnicamente?

— Posso mudar as passagens. Seria um incômodo, mas nada dramático. — Ela fez uma pausa calculada. — A menos que você ainda esteja usando Tóquio como esconderijo.

— Não estou me escondendo.

Lily sorriu sem acreditar.

— Claro. Você atravessou meio mundo por puro amor ao trabalho presencial.

— Havia reuniões reais.

— Sim. E você usou cada uma delas como escudo contra a babá.

Soltei um suspiro.

— Preciso voltar para Emma.

A expressão de Lily suavizou um pouco.

— Ela tem ligado muito?

— Todos os dias.

— Isso é bom.

— É. — Olhei para as portas de vidro que davam para a rua. Tóquio se movia lá fora com aquela precisão viva que sempre me agradou. — Ela pergunta quando volto e depois finge que perguntou por curiosidade.

— Filha sua.

— Infelizmente.

Lily riu baixo.

— É uma mudança grande, Leon. Você levar Emma em consideração antes do trabalho.

— Eu sempre levei.

Ela apenas me encarou.

— De alguma forma — corrigi.

— Melhor.

Entramos no elevador. Quando as portas se fecharam, Lily se encostou à parede espelhada e cruzou os braços.

— Só lembra uma coisa.

— Lá vem.

— Abby pode ser maravilhosa para a Emma, mas ela continua sendo uma pessoa com vida própria.

Meu corpo ficou tenso antes que eu conseguisse impedir.

— Quero dizer — continuou, menos provocadora — que babás seguem em frente. Às vezes por outra família, por estudos, por salário melhor, por casamento, por cansaço. Às vezes porque o patrão torna tudo impossível.

Amando a BabáHistórias para pegar e não largar. Descubra agora