Quinta-feira
Eu não conseguia me acostumar ao fuso horário de Tóquio.
Também sabia que iria embora antes que meu corpo tivesse qualquer chance real de se ajustar.
Acordei cedo demais, com a cabeça pesada e os olhos ardendo de cansaço. A cidade se estendia do outro lado da janela do hotel, vasta, luminosa, quase hipnótica. Torres de vidro refletiam a manhã, ruas começavam a se encher, e Tóquio parecia funcionar com uma precisão silenciosa que eu sempre admirei.
Viajar era uma das partes do trabalho de que eu mais gostava.
Ou gostava antes.
Ultimamente, até as melhores cidades pareciam apenas lugares onde eu podia continuar evitando a minha própria casa.
Peguei o café gelado que havia pedido no serviço de quarto e tentei organizar mentalmente o dia. Reunião com investidores. Almoço estratégico. Revisão de termos. Jantar corporativo. Lily já devia estar acordada, irritantemente funcional, provavelmente vestida, maquiada e pronta para me lembrar que eu parecia um morto-vivo de terno caro.
O celular vibrou sobre a mesa.
Uma vez. Depois outra.
Videochamada.
Franzi a testa e olhei a tela.
Emma.
Meu estômago afundou antes mesmo de eu atender.
Era cedo demais em Tóquio e tarde demais em Nova York para uma ligação casual. Emma quase nunca fazia videochamada comigo quando eu estava fora. Mensagens, sim. Áudios, às vezes. Mas ligar significava que alguma coisa havia saído da ordem.
Deslizei o dedo pela tela.
— Emma? Está tudo bem?
O rosto da minha filha apareceu pequeno, iluminado pela luz fria do quarto. Os olhos escuros estavam duros, a boca comprimida em uma linha fina.
— Não.
A palavra veio carregada de mau humor.
— O que aconteceu?
— Eu odiei hoje.
Fechei os olhos por meio segundo.
— O que você odiou?
— Aquele homem.
Meu cérebro, ainda lento pelo sono, levou um instante para entender.
A consulta.
O profissional que eu havia escolhido às pressas depois de duas horas de pesquisa, indicações caras e sites com credenciais impecáveis.
— Você está falando do doutor que conversou com você?
— Ele não conversou. Ele ficou fazendo pergunta.
— Que tipo de pergunta?
— Pergunta chata.
— Emma...
— Ele perguntou da vovó. E da mamãe. E perguntou por que eu não queria falar.
O café gelado perdeu todo o sabor.
— Ele perguntou sobre sua mãe?
— Perguntou tudo. Eu não gostei.
A voz dela ficou menor na última frase.
— Você mandou eu ir lá e nem me contou antes.
A frase atravessou a distância entre Tóquio e Nova York com precisão cruel.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
