Quinta-feira
Merda.
Merda, merda, merda.
Mantive a cabeça baixa enquanto atravessava o escritório, mas isso não impediu a sensação de que todos olhavam para mim. Eu sentia os olhares como agulhas na nuca, embora uma parte racional de mim soubesse que as pessoas apenas notavam meu retorno depois de dias afastado. Talvez quisessem saber se eu estava melhor. Talvez estivessem curiosas. Talvez ninguém estivesse olhando tanto assim.
Mas eu não conseguia pensar racionalmente.
Tinha beijado Abby.
Essa era a única frase que existia dentro da minha cabeça.
Tinha beijado Abby na minha cozinha, com o gosto de café ainda na boca, a maçã esquecida na bancada e o almoço que ela havia preparado entre nós como a última prova de que aquilo jamais deveria ter acontecido.
E, pior, ela havia correspondido.
Não por tempo suficiente para que eu pudesse transformar aquilo em uma certeza confortável. Mas o bastante para acabar comigo.
— Leon! — Lily chamou assim que me viu. — Você voltou. Eu não sabia que vinha hoje.
Segui direto para o escritório dela, entrei e fechei a porta atrás de mim.
Lily piscou.
— Bom dia para você também.
Eu deveria ter ficado quieto. Deveria ter pedido relatórios, perguntado sobre investidores, fingido que estava ali porque meu corpo tinha melhorado e a empresa precisava de mim. Mas aquilo estava preso na garganta desde que as portas do elevador se fecharam na cobertura.
— Beijei a babá.
As palavras saíram de uma vez.
Rápidas.
Criminosas.
Pela primeira vez em anos, eu vi minha melhor amiga sem resposta.
— Você fez o quê?
Passei a mão pelo rosto.
— Beijei a Abby.
— A Abby. — Ela repetiu devagar, como se conferir o nome pudesse mudar o absurdo da frase. — A mulher que mora na sua casa. Cuida da sua filha. Conquistou a confiança da Emma em menos de uma semana. Essa Abby?
— Obrigado pelo resumo.
— Estou tentando entender se você ficou temporariamente sem cérebro ou se foi uma decisão consciente.
— Não foi decisão.
— Leon.
— Aconteceu.
— Beijos não caem do teto.
Fechei os olhos por um segundo. A memória voltou inteira, inconveniente, cruel. O toque acidental dos dedos dela. O modo como ela ergueu os olhos. A respiração presa entre nós. A boca dela tão perto que, por um segundo, todo o resto pareceu negociável.
— Eu sei.
Lily apoiou as duas mãos na mesa.
— Ela quis?
A pergunta me atingiu de um jeito diferente.
Não havia julgamento na voz dela dessa vez. Havia seriedade.
— Sim — respondi, mais baixo. — Por um instante, sim.
— Tem certeza?
Olhei para ela.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
