Capítulo 32 - Abril

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Quinta-feira


— Meu Deus! — Emma gritou, saltando por cima de mais uma onda. — Isso é incrível!

A água batia nas pernas dela, subia até a cintura e arrancava risadas que pareciam nascer de algum lugar novo. Emma estava completamente tomada pela praia. Pelo mar, pelo sol, pela areia grudada nos joelhos, pelas conchas pequenas demais para justificar tanto entusiasmo.

Eu a observava rir e, por mais cansada que estivesse, era impossível não sorrir.

Estávamos no oceano há tempo demais. O tipo de tempo que deixa o corpo mole, a pele quente e a cabeça meio distante. A noite mal dormida, o voo, o fuso, o sol e a água salgada começavam a pesar. Eu sentia os ombros arderem e já desconfiava que o protetor solar tinha perdido a batalha.

Leon, por outro lado, estava alguns metros atrás, estendido na areia como se tivesse nascido para aquilo.

O que era profundamente irritante.

— Abby! — Emma chamou. — Viu?

Ela esperou a onda seguinte e pulou no momento errado, recebendo água no peito e soltando uma gargalhada tão alta que algumas pessoas olharam.

— Vi. Foi muito elegante.

— Foi horrível.

— Horrível também pode ser elegante.

— Não pode.

— Então foi só horrível.

Ela riu outra vez.

Aquela menina, que semanas antes mal olhava para mim, agora ria comigo no meio do oceano como se aquela alegria fosse fácil. Como se nada nela tivesse passado tanto tempo fechado. O pensamento apertou meu peito com ternura e medo ao mesmo tempo.

Eu gostava dela demais.

Mais do que uma babá sensata deveria gostar.

— Você acha que posso escrever meu relatório sobre os animais daqui? — Emma perguntou, já saltando para outro assunto. — Tipo criaturas do mar. Tartarugas. Peixes. Caranguejos. Talvez golfinhos, se eu vir um.

— Acho uma ótima ideia.

— Podemos começar hoje?

A minha alma cansada quase saiu do corpo.

— Hoje a gente só observa. Relatório oficial depois.

— Mas eu posso fazer anotações.

— Pode. Depois de banho, comida e descanso.

Emma estreitou os olhos.

— Você está cansada.

— Estou profundamente ofendida por isso estar tão visível.

— Você parece meio vermelha também.

— Obrigada pelo relatório médico.

Ela se aproximou, observando meu ombro com seriedade.

— Está mesmo vermelha.

Olhei para baixo e fiz uma careta. A pele ardia ao toque da água salgada. Excelente. Primeiro dia no Havaí e eu já parecia alguém incapaz de obedecer a instruções básicas de proteção solar.

— Acho melhor voltarmos para a villa daqui a pouco.

Emma olhou para o mar, depois para mim, depois para Leon na areia.

— Podemos acordar meu pai?

— Ele está acordado.

Leon estava com um braço sobre os olhos, mas eu tinha quase certeza de que não dormia. Havia algo na postura dele, uma atenção quieta demais, como se continuasse acompanhando todos os nossos movimentos mesmo fingindo descansar.

Amando a BabáHistórias para pegar e não largar. Descubra agora