Sexta-feira
Pai, que horas você chega? A gente vai pedir comida.
Fiquei olhando para a mensagem de Emma por mais tempo do que deveria.
Era uma pergunta simples. Uma pergunta de filha para pai. Ainda assim, havia algo nela que me prendeu à cadeira do escritório com uma força inesperada.
No passado, eu teria respondido quase sem pensar.
Chego tarde. Comam sem mim.
Era prático. Direto. O tipo de resposta que cabia perfeitamente na vida que eu havia construído. Trabalho primeiro. Casa depois. Emma depois, mesmo quando eu dizia a mim mesmo que tudo era por ela.
Mas, naquela tarde, meus dedos não se moveram.
— Lily — chamei, ainda olhando para a tela. — Você precisa que eu fique até tarde hoje?
Ela ergueu os olhos do notebook e me analisou com desconfiança imediata.
— Não necessariamente.
— Ótimo.
— Essa foi uma pergunta perigosa. Você tem planos?
Guardei o celular no bolso, tentando parecer casual.
— Tenho que ajudar Emma com matemática.
Lily piscou.
— Você?
— Eu sou bom com números.
— Isso eu sei. Minha dúvida é se uma criança de sete anos merece ser submetida ao seu método.
— Eu consigo ser paciente com ela.
— Essa frase quase me emocionou.
Lancei-lhe um olhar.
Lily sorriu, mas havia algo mais suave por trás da provocação. Ela sabia. Talvez não todos os detalhes, mas sabia o suficiente para entender que eu estava tentando fazer algo diferente.
— Pode ir — disse ela. — Nada aqui desmorona se você sair no horário.
— Tem certeza?
— Leon, o escritório sobrevive algumas horas sem você. Essa descoberta pode ser chocante, mas é verdadeira.
Eu quase sorri.
Então ela se recostou na cadeira, como se tivesse se lembrado de algo.
— Antes de você fugir para sua nova carreira como tutor de matemática, precisamos falar da Austrália. Ainda não reservei sua passagem porque você estava doente. A viagem continua de pé.
A Austrália.
Eu havia esquecido.
Ou, mais precisamente, uma parte de mim havia escolhido não pensar nisso.
Alguns dias fora. Reuniões importantes. Sol. Distância. A oportunidade perfeita para fugir da cobertura, de Abby, do beijo e daquela tensão silenciosa que vinha ocupando a cozinha desde a manhã anterior.
Deveria ter parecido um alívio.
Não pareceu.
Pensei em Emma olhando para mim do sofá enquanto perguntava se eu ia morrer. Pensei nela dizendo que a avó sempre voltava para casa. Pensei na forma como seus olhos tinham se iluminado quando eu disse que ajudaria com matemática. Pequenas coisas. Coisas ridiculamente pequenas para um homem acostumado a medir importância em contratos, fusões e números grandes demais.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
