Sábado
Este é um dia de folga de verdade.
Fiquei olhando para o teto do quarto, repetindo a frase como se ela precisasse soar melhor da segunda vez.
Eu podia fazer o que quisesse.
Passear. Dormir até tarde. Comer fora. Ir a algum lugar turístico. Entrar em lojas sem pressa. Pegar o metrô, fingir que já entendia a cidade, perder-me um pouco e chamar aquilo de aventura.
Deveria parecer maravilhoso.
Mas não parecia.
Leon havia cancelado a viagem para a Austrália e, naquele sábado, sairia com Emma. Só os dois. Primeiro algum passeio, depois um musical na Broadway, segundo ela me contara na noite anterior com um entusiasmo que tentou disfarçar e falhou completamente.
Eu deveria estar feliz.
E estava.
Pelo menos pela Emma.
Ela merecia ter o pai por perto. Merecia um dia em que Leon escolhesse ficar. Merecia um adulto que chegasse, sentasse, ajudasse com matemática, perguntasse sobre museus, aceitasse um dinossauro bravo de presente e a levasse para ver O Rei Leão como se aquilo fosse tão importante quanto qualquer reunião internacional.
Era exatamente o que eu queria para ela.
Então por que eu me sentia tão vazia?
Virei de lado e olhei para o relógio. Nem oito horas. Ridículo. Meu primeiro sábado livre em Nova York, e eu estava acordada cedo, inquieta, com o peito apertado e a cabeça cheia demais.
A cama era confortável. O quarto era bonito. A cidade dos meus sonhos estava do outro lado da janela.
Ainda assim, eu me sentia sem lugar.
Levantei antes que o pensamento piorasse. Vesti um robe por cima da camisola e fui para a cozinha com a intenção de preparar café, talvez comer alguma coisa simples e depois decidir o que fazer com aquele dia inesperado.
Leon e Emma já estavam lá.
Os dois sentados à bancada, com panquecas, frutas e café. Ou melhor, café para Leon e suco para Emma. Havia um terceiro prato separado, coberto por um guardanapo.
Para mim.
Parei na entrada da cozinha.
— Bom dia — Leon disse.
Ele parecia cauteloso. Como se, desde o beijo, cada palavra precisasse ser escolhida antes de tocar o ar.
— Bom dia.
— Fizemos panquecas — Emma anunciou, orgulhosa demais para fingir indiferença.
Olhei para Leon.
— Vocês fizeram?
— Eu misturei — disse Emma. — Ele queimou a primeira.
— Sacrifício necessário — Leon respondeu. — A segunda ficou melhor.
— A terceira ficou com cara de panqueca.
A cena era tão simples que quase doeu.
— Deixamos um prato para você — Emma acrescentou.
— Obrigada. Que gentileza.
Sentei-me na terceira cadeira, tentando ignorar a forma como a palavra "cuidar" parecia escondida naquele gesto. Eu sempre preparava comida para eles. Naquela manhã, eles tinham preparado algo para mim. Ou, pelo menos, pensado em mim antes que eu aparecesse.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
