Sexta-feira
Acordei sozinho.
Não deveria ter me surpreendido. Abby tinha ido para o próprio quarto na noite anterior assim que voltamos do luau, cansada, queimada de sol e sensata o bastante por nós dois. Ainda assim, durante alguns segundos, fiquei deitado olhando para o teto, sentindo a ausência dela como uma coisa concreta.
Depois da noite na festa, eu tinha esperado alguma continuidade. Uma conversa. Um momento. A mão dela na minha outra vez, sem a pressa de soltar quando Emma se virasse. Algo que confirmasse que eu não tinha imaginado tudo.
Mas Abby tinha fechado a porta.
E eu tinha deixado.
Essa, pelo menos, era uma melhoria.
Levantei-me antes que o pensamento azedasse. A paisagem do lado de fora das janelas era quase indecente de tão bonita: mar azul, céu limpo, palmeiras mexendo devagar com o vento. O tipo de vista que deveria tornar qualquer homem grato por estar vivo. Em vez disso, passei alguns minutos com a mão apoiada na cortina, tentando separar desejo de expectativa, frustração de medo.
Eu queria Abby.
Aquilo era simples.
O problema era todo o resto.
Eu a queria na minha cama, sim, mas também a queria à mesa com Emma. Queria vê-la rir na cozinha da villa, discutir comigo sobre protetor solar, ensinar minha filha a olhar para o mundo com menos defesa. Queria que aquela pequena familiaridade entre nós deixasse de ser algo roubado em corredores e escritórios.
E isso já não era simples.
Quando saí do quarto, encontrei Abby na cozinha.
Ela estava de costas para mim, preparando café, usando uma camiseta larga que terminava no alto das coxas e deixava à mostra parte das pernas. O cabelo estava preso de qualquer jeito, e a pele dos ombros, ainda avermelhada, fazia com que eu quisesse me aproximar com cuidado em vez de tocar com pressa.
Ela virou quando ouviu meus passos.
— Bom dia.
— Bom dia.
A resposta saiu mais baixa do que eu pretendia.
Ela parecia serena. Ou apenas sonolenta. Ou estava fingindo melhor do que eu. Fiquei tentado a perguntar se tinha dormido bem, se estava com dor, se tinha pensado em mim ao fechar a porta. Fiquei tentado a perguntar muitas coisas que exigiam um tipo de coragem que eu ainda estava organizando.
— Como está a pele? — perguntei.
Ela olhou para o ombro e fez uma careta.
— Ofendida.
— Passou aloe vera?
— Passei. E vou comprar algo mais forte se encontrarmos uma farmácia.
— Encontraremos.
Ela me entregou uma xícara de café.
— Você disse isso como se fosse uma missão corporativa.
— Posso ser bastante eficiente com missões.
— Percebi.
O sorriso dela foi pequeno, mas estava ali. Aquilo bastou para diminuir parte do aperto no meu peito.
— Ontem foi bonito — disse ela, após um curto silêncio. — A Emma adorou.
— Adormeceu com a saia de grama.
Abby riu.
— Sério?
— Completamente derrotada. Nem acordou quando tentei tirar.
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Amando a Babá
RomanceLeon Anderson precisa de uma babá. Após perder a esposa, ele se vê sozinho para cuidar da filha enquanto tenta conciliar a paternidade com as constantes viagens de trabalho. A solução surge na forma de Abril Rivera, uma jovem gentil do sul que també...
