Layla on.
Mais um dia, mais um dia longo de trabalho, não dá para ser garçonete minha vida inteira, claro que com isso eu começarei logo a minha faculdade, mas eu já não aguento mais, ficar ouvindo os cúmulos que os bêbados falam, tantas tentativas de estupro, que se não fossem meus quatro anos de karatê, eu teria provavelmente virado o brinquedo sexual de alguém. Ou pior, ter morrido para não dar queixa.
Mas o pior de tudo, é viver em um relacionamento abusivo, estava namorando com Klaus, um cara que conheci em uma livraria, no começo eram tudo flores, até que ele começou a ficar possessivo e violento, então eu decidi terminar, mas ele não aceitou bem o término, agora ele vive na minha casa, me espancando dia após dia. Mas daí me perguntam, se tem quatro anos de karatê, porque não usa isso contra ele??, Acontece que ele tem uma arma. Ele anda muito bem armado, e me ameaça constantemente.
Quando finalmente adentro em casa.
— já chegou? Sua inútil. -disse Klaus sentado na minha poltrona, da minha sala.
— sim. -respondi baixo enquanto pendurava meu guarda chuva no gancho.
Tentei passar para subir as escadas quando ele levantou rapidamente e me barrou.
— aonde pensa que vai amor??. -perguntou ele.
Ele começou a beijar meu pescoço e eu só conseguia sentir nojo e repulsa.
— não encoste em mim. -falei com nojo.
— o que falamos sobre seus protestos?. -disse ele tentando me beijar.
Virei o rosto e o encarei com raiva.
— eu falei, e vou repetir, não encoste em mim!. -falei lhe dando uma joelhada.
Ele urrou de dor mas não foi o suficiente, ele me encarou com tamanha fúria, senti meu rosto queimar, ele me deu um tapa.
— sua vadia, irá se arrepender!. -rugiu ele.
Seu celular tocou e eu dei graças aos céus por isso ter acontecido, ele saiu de perto de mim e eu corri para as escadas, subi as pressas e adentrei o meu quarto. Fechei a porta e a tranquei, comecei a mover os meus móveis para bloquear a porta. Ele não irá entrar, nunca mais.
Tirei meu casaco e caminhei até a minha janela, encarando as estrelas com lágrimas nos olhos. Quando uma bela estrela cadente cruza o céu, como um lindo raio estelar.
Cruzo meus dedos e fecho os olhos como eu e minha mãe fazíamos antes de ela morrer, suspirei pesadamente e com o coração dolorido, fiz meu pedido.
— por favor, me tire deste lugar, me leve para um lugar melhor, um lugar onde eu não possa sofrer, um lugar onde eu seja feliz, onde se importem comigo, me leve para bem longe. -supliquei em um sussurro.
Abri meus olhos me vendo ainda alí no quarto, e chorei, chorei por meus pedidos nunca se realizarem, chorei por nunca ter conseguido ir como minha mãe foi.
Já tentei, milhares de vezes me matar, mas nunca consegui, sempre que eu tentava fazer isso, eu olhava para o anel em meu dedo, o anel que minha mãe me deu quando fiz quinze anos, um anel de ouro com um belo sol, com uma frase gravada "seja luz".
Deixei uma lágrima cair em meio as mulheres que derramei, ao olhar para o anel que mesmo no escuro do quarto, brilhava como o verdadeiro sol.
Olhei para meu espelho e encarei meu rosto, com a maraca certa da mão de Klaus, isso me fez cerrar os punhos, se eu pudesse, o matava, e não me importaria ser presa depois, pois a liberdade canta algum dia para todos, não me arrependeria e dormiria sem remorso algum.
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Corte do Alvorecer
Fantasyuma simples garota, uma leitora, que vive no mundo de seus livros, que se frustra com o mundo real por não ser tão perfeito como as histórias que lê. que sente que seu lugar não é alí. após uma desilusão amorosa, Layla procura afogar suas mágoas nos...
