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🏆2°...
O som dos passos e da música alta se torna acostumável aos meus ouvidos conforme Matheus fala sobre sua paixão pelo futebol e sobre seu passado. Não digo nada, apenas presto atenção em cada palavra que sai da sua boca.
— Até que você é tolerável. — Digo por fim.
— Até que você não é tão assustadora. — Ele rebate.
— Da próxima vez, diga coisas terríveis sobre mim.
Quando não há mais o que fazer no restaurante, resolvemos voltar para o campo. Agora o lugar está totalmente envolto pela penumbra. O campo é como se fosse nosso local de encontro. Matheus se senta na arquibancada e me sento ao seu lado.
Ficamos em silêncio, por longos minutos. Até que Matheus se vira para mim e parece querer dizer algo.
— Por que você age de modo tão defensivo, Melissa?
— Eu mal te conheço. Além do mais, não te devo satisfação.
— Tá vendo? — Ele balança a cabeça levemente em negação, se concentrando em outro ponto, como se o que eu acabei de dizer confirmasse seu argumento.
— Eu só disse a verdade. — Resmungo.
Talvez o pequeno progresso que temos feito chegou ao fim.
— É isso que eu estou tentando fazer. Te conhecer. — Ele me observa por longos instantes.
— Acredite, você não quer isso.
— Por que? Eu posso decidir isso sozinho.
— Você não entenderia. — Solto um suspiro cansado — É complexo.
Depois disso, apenas sinto a brisa suave da noite. Não tenho nada a dizer, mas Matheus abre e fecha a boca como se quisesse dizer algo, mas nada sai de sua boca, no entanto. Consigo escutar músicas distantes soando pelo lugar.
🎶
Homens sábios dizem Só os tolos se apressam Mas não posso deixar de me apaixonar por você Devo ficar Seria um pecado Se eu não posso deixar de me apaixonar por você.
Como um rio corre Certamente para o mar Querida, então vai Algumas coisas são destinadas a serem assim Pegue minha mão Leve toda a minha vida também Pois não posso deixar de me apaixonar por você...
🎶
— Um segredo por outro. — Matheus barganha por fim.
Quase me assusto com sua afirmação repentina.
— Como?
— Você me fala um segredo seu e eu falo um meu.
Penso um pouco em suas palavras. O preço que isso complicaria...
— Tudo bem. — Me vejo dizendo, por fim dar, ao dar de ombros.
Por que não? Eu tenho coisas a esconder, sim, mas se Matheus tem tanto interesse em mim, então vou mostrar a ele quem eu sou de verdade. Talvez não seja a coisa certa a se fazer, mas eu não me importo. Se isso for assustá-lo o suficiente para ir embora...
Então que seja.
De certo modo, o menino de cabelo ruivo me passa essa sensação; de que eu posso dizer qualquer coisa e fazer qualquer coisa e tudo bem. Vamos ver até que ponto.
Ainda absorta em pensamentos, Matheus me tira do transe com suas palavras.
— Eu estava em uma festa. Bêbado. Faz alguns meses desde então... mas não consigo esquecer. — Ele faz uma pausa antes de continuar — Sai da festa em que estava e entrei no meu carro. Estava a caminho da minha casa, em alta velocidade, quando atropelei uma pessoa — Sua garganta oscila à medida que ele profere as palavras.
Encaro-o com profundidade devido à sua confissão. Não consigo controlar a surpresa que deve estar estampada em minhas feições.
— Ela não sobreviveu. — Ele cruza as mãos levemente em frente ao corpo e a sua garganta oscila novamente, como se as palavras o sufocassem, como se fosse tão difícil falar que isso o dilacera por dentro — Fiquei preso por alguns meses. Mas quando fiquei livre... Eu ainda sentia que precisava pagar o preço. E vou fazer isso sempre.
Matheus me encara, seus lindos olhos safira estão tristes, desamparados e sem brilho. Ele me conta cada detalhe. Presto atenção em tudo, é diferente de quando estava prestando atenção em suas palavras no restaurante.
— Eu não queria... Eu juro. Só que eu era muito novo e não tinha noção do que estava fazendo da minha vida. Eu pedi perdão para a família da moça, cumpri a pena na cadeia com culpa. Cada mísero segundo. E quando sai fui visitar seu túmulo.
Matheus abaixa a cabeça, como se fosse difícil falar sobre isso. Suportar. Cada palavra fica mais baixa e hesitante. Rapidamente, sinto vontade de abraçá-lo.
— Depois disso, prometi nunca mais beber. E até então é o que tenho feito. Mas a dor permanece aqui no peito. Nunca vou esquecer aquele dia. Aquela menina. Não sei o que fazer... para tornar isso melhor.
Eu não poderia imaginar... Se ele não tivesse me contado eu não acreditaria. Seguro a mão de Matheus que está quente na minha, um gesto repentino que até mesmo eu me espantei, mas não é hora de joguinhos.
As pessoas realmente podem nos surpreender. Achei que era apenas um menino comum de Floriana, mas estava errada. Não sei ao certo o que pensar sobre isso, mas no momento só quero dar o apoio que ele tanto precisa.
— Você estava certo. — Murmuro por fim — Somos parecidos.
Matheus me encara confuso. Mas apenas aperto sua mais forte.
— Eu passei pela mesma coisa, praticamente. Na verdade, não sou tão inocente quanto você. Eu atropelei... uma pessoa. — Procurei não dizer os nomes, nem detalhes aprofundados, só quero que ele perceba que não está sozinho, e que não foi culpa inteiramente dele. — Mas eu queria aquilo. É claro que me arrependo, mas naquele momento em que aconteceu... eu queria.
Minha voz é um fio em meio ao turbilhão de sentimentos.
— Eu fiz isso por motivos bobos. Fui egoísta.
Suspiro fundo, querendo manter o máximo de ar que consigo em meus pulmões. Viro meu rosto para encará-lo.
— Você ainda tem a mesma imagem de mim depois disso? Talvez eu não seja que você espera. É melhor fugir enquanto é tempo. Digo essas últimas palavras com humor, mas em meu peito sinto uma pontada de dor.
Matheus me encara com olhos arregalados, aparentemente sem palavras.
— Uau... — Ele diz com surpresa o suficiente para abrir a boca — Você realmente sabe como surpreender uma pessoa.
Dou um pequeno riso, que ele retribui ainda desacreditado.
— Essa é uma das minhas qualidades.
Depois disso, não falamos mais nada, mas consigo sentir Matheus apertando suavemente minha mão em sinal de compressão e solidariedade, pois ele entende minha dor. Naquela noite, depois de tanto tempo, eu não me senti sozinha.
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