Capítulo 30

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PATRICK

Meu mundo parou. Nunca achei que iria sentir algo assim... É o pior sentimento do mundo, uma mistura de desespero e incapacidade.

Não sabia se estava sequer respirando quando eu vi Aurora caída ensanguentada tentando rastejar para sua amiga... Com passos rápidos fui ao seu encontro e segurei-a firme. Ela me encarou, seus olhos estavam distantes, e com um brilho de desespero. Eu estava com tanto medo e tudo o que eu conseguia escutar era meu coração trovejando dentro do peito.

— Então? — Me levanto rapidamente ao avistar o Doutor caminhando em minha direção.

O médico com seu longo jaleco branco ajeita os óculos sobre o nariz, ele está segurando uma prancheta.

— Ela está bem, está dormindo agora. — Depois de uma pausa ele continua — Teve algumas contusões leves e o joelho ralado. Só precisa descansar e logo terá alta.

Assinto à medida que sinto um suspiro de alívio.

— Posso vê-la ? 

— Você é da família? 

Noto um nó se formar por minha garganta. 

— Sou próximo dela. Eu já avisei a mãe dela, logo estará aqui.

— Tudo bem — Ele concorda e dá um sorriso reconfortante. Daqueles que só médicos sabem dar.

Com passos ágeis, vou em direção à sala que o médico indica que Aurora está. Bato três vezes na porta antes de abri-lá e encontrá-la dormindo com uma roupa própria de hospital. Seu rosto está suavizado em meio ao sono. Sua pele está pálida. Me sento na cadeira ao lado de sua cama. Aperto sua pequena mão, acariciando-a. É quente sob a minha pele.

— Eu não sei se aguentaria se algo pior tivesse acontecido a você. — Sussurro ao beijar delicadamente sua mão.

Aurora acorda com o gesto. Ela resmunga e passa a mão pelos olhos. Faz menção de levantar-se, mas eu me aproximo e a impeço. Ela senta conforme leva às mãos à cabeça como se estivesse com dor.

— Está tudo bem agora. — Murmuro ao me aproximar mais dela. Ela dormiu por horas. 

Vou em direção à uma mesinha não muito longe e pego um copo de água levando para ela. Aurora parece fraca, então eu a ajudo equilibrando o corpo em sua boca. Só afasto quando ela assente, satisfeita. Depois disso, me sento ao seu lado novamente. Seguro seu rosto com as duas mãos e com cuidado selo nossos lábios em um beijo suave. 

Apenas para senti-lá... para ter certeza que é real.

No primeiro momento, Aurora parece paralisada, mas depois continua o beijo, como se também precisasse disso tanto quanto o ar que respira. Quando nossos lábios se separam ela me encara com suavidade. Seus olhos castanhos-dourados estão com um leve brilho, mas esse brilho se dissipa quando pergunta:

— Onde está Laura? Ela está bem? — Em seu tom há urgência.

— Não sei. Estamos aguardando respostas. Ninguém nos informou nada ainda. 

Aurora desvia o olhar. Abro a boca para dizer maks alguma coisa, mas Alice entra desesperadamente pela sala.

— Filha, graças a Deus! Você está bem? — Ela pergunta ao abraçar a filha.

— Vou deixar as duas conversarem. — Pronuncio quando me levanto — Se precisarem de mim estarei na sala de espera.

A mulher desvia os olhos da filha para me encarar. 

— Patrick, que bom que está aqui. Obrigada pelo o que fez pela minha filha... E por me avisar. — Alice me lança um sorriso reconfortante.

— Não precisa agradecer. É o mínimo que eu posso fazer, senhora — Levo as mãos aos cabelos, está macio em minhas mãos — Alice, quero dizer — Troco rapidamente as palavras, meio sem jeito.

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