AURORA
É fim de tarde. Estou na cozinha de minha casa. Pequenas feichos amarelados de luz reverbera por todo o lugar agora.
Caio esta à poucos metros de distância, preparando algumas guloseimas para comermos quando assistirmos ao filme, com Patrick e Laura.
Ainda não decidimos qual será o gênero, mas não importa muito. Contanto que estejamos juntos.
Meu irmão sempre gostou de cozinhar. Lembro-me de nossos momentos na cozinha. Nos enchiamos de farinha e sorrisos... Não é como antes, pois agora não somos crianças. No entanto, continua sendo bom. Caio, possivelmente, puxou esse lado cozinheiro da nossa mãe, que também faz isso excecionalmente. Não que eu não me arrisque, às vezes, na cozinha, mas eu prefiro comer comidas que não fossem queimadas, ou sem sal.
— Ei, maninho. — Exclamo à medida que brinco com alguns talheres.
— Como está se sentindo agora que namora minha melhor amiga? — Digo me referindo a Laura.
Caio para o que esta fazendo, e se vira para me encarar. Ele está com uma camiseta de um tom claro, mas por cima se encontra uma avental vermelho. Seus cabelos levemente bagunçados, despencam pela testa.
— Estou me sentindo melhor do que nunca estive. — Ele dá um pequeno sorriso — Não sei explicar, mas é um sentimento bom, sabe? Sempre sonhei com isso e agora... é realidade.
Seus olhos castanhos tão cheio de brilho conforme diz essas palavras. E meu irmão parece livido. Realmente mais que feliz que em semanas. Meses até. Gosto de vê-lo assim.
— Entendo — É tudo o que digo enquanto me encosto na bancada gélida. — Eu entendo perfeitamente.
É um sentimento que não sabemos ao certo explicar, mas ele cresce em nossos corações e preenche cada vazio deste. É como se fosse um lugar desconhecido, mas ao mesmo tempo um lugar cheios de coisas boas pelas quais valem a pena lutar. Dá medo, mas, no fundo, vale a pena se arriscar.
Me aproximo mais do meu irmão.
— Você merece isso. — Murmuro encará-lo com carinho — Se há uma pessoa que mereça ser feliz neste mundo... Essa pessoa é você, maninho.
Caio segura suavemente minha mão.
— Nós merecemos.
Com um pequeno aceno de cabeça assunto em sinal de concordância
— Sabe... Eu achei que não voltaria a sorrir depois que nosso pai faleceu... — Sussurro, surpesa por dizer essas palavras em voz alta, enquanto olho os talheres.
— Eu sei. Eu sentia o mesmo, mas, como sempre dizem, o tempo cura todas as feridas, ou pelo menos a maior parte delas.
Assinto. Depois disso, não falamos mais nada.
Depois de alguns longos minutos, tudo está preparado. Tem comida suficiente para quatro pessoas.
Caio diz que vai buscar Laura, respondo que vou ao encontro de Patrick, que já deve estar pronto para o evento. Mas também porque quero vê-lo, de qualquer forma.
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Recomeços
Fiksi Remaja🏆1° na Categoria Melhor Cena de Conselho no Concurso BE Different.🏆 🏆1° no Concurso Diamante Negro - 2°edição.🏆 🏆1° na Categoria Melhor Casal no Concurso Sunflowers.🏆 🏆1° na Categoria Melhor Cena romântica no Concurso Jogos na Leitura.🏆 🏆2°...
