AURORA
Sinto alguém me observando e viro o rosto, meu olhar rapidamente encontra o de Richard e sinto a bile subir a garganta. Quase todo rosto dele agora está coberto de ferimentos já cicatrizados devido a surra que levou de Patrick.
Sinto uma mão apertar carinhosamente meu ombro e me viro a tempo de ver olhos negros me encarando com cautela, mas também há carinho neles. Em resposta aperto sua mão.
Ao bater o sinal suspiro de alívio. Me levanto rapidamente conforme me afasto da sala de aula. Patrick logo atrás de mim. Ele está com a veste habitual preta e as mãos no bolso da calça. Solto um suspiro que não sabia que estar guardando quando avisto Laura na saída do colégio.
— Oi... — Murmuro ao me aproximar.
— Olá. — Laura me encara com carinho.
— Vamos para minha casa? — Pergunto meio hesitante — Eu prefiro conversar sobre isso lá.
Laura assente que sim com a cabeça. Patrick segura minha mão e dou um meio sorriso para ele. Andamos para fora do colégio. Observo Patrick soltar minha mão para pegar um objeto que caiu no chão. Ele assente para que eu continue meu trajeto. Fico um pouco a frente de Laura. Estamos caminhando normalmente pela estrada de Porto Real, quando...
— Cuidado! — Escuto a voz de Laura.
Foi tudo muito rápido...
No primeiro momento, eu sinto dor por todo meu corpo, principalmente no joelho. Sufoco um grito na garganta quando tento me mover. Com tontura, levanto a cabeça e meus olhos se arregalam de puro pavor quando vejo o corpo de Laura estatelado no chão à poucos metros.
Não.
Não pode ser real.
É apenas mais um daqueles pesadelos.
Tem que ser.
Tento me levantar do chão, tento com todas as forças, mas não consigo. Sinto ondas ondas latejantes reverberando por todo meu corpo conforme tento me locomover em direção à minha melhor amiga.
— Laura... — Arquejo de dor à medida que me rastejo para onde ela está. Meu corpo dolorido e minha cabeça lateja — Por favor.
— Laura... — Repito com a voz embargada quando ela se mexe — Por favor, me responde.
Se Laura morrer....
Não cogito pensar nisso.
Lágrimas desce como cascata pelo meu rosto, na qual faz minha visão ficar embaçada. Minha garganta se fecha conforme chamo Laura e solto chiados de dor.
— Se mexa. Se mexa... Por favor.
Meu coração se quebra em milhares de pedacinhos quando não vejo resposta. Agora meu choro é dolorido e angustiante. Solto um grito quando sinto mãos fortes me segurarando e me puxando.
— Aurora, não se mexa, por favor — Patrick diz, a voz falhando ao se aproximar de mim.
Viro meu rosto para encará-lo. Quase não o vejo devido as lágrimas que embaça meus olhos.
— Laura — Choramingo apontando para onde seu corpo está. — Ela... ela não tá se mexendo... Ajude ela. Por favor. — Mais lágrimas descem do meu rosto e minha voz embarga de medo e dor.
Patrick desvia o olhar para encarar onde eu estou apontado.
— Patrick... Por favor... — Começo novamente.
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Recomeços
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